08/04/2017

            Sempre tive ao longo da vida, uma autocensura muito acentuada. Nunca consegui conviver com a hipótese de parecer ridículo ou inconveniente, seja do meu próprio ponto de vista, ou de terceiros. Acredito que isso tenha sido o meu “calcanhar de Aquiles” , tenho vários outros mas talvez tenha sido o mais importante.  Tive uma coleção imensa de medos e receios. Fui me desvencilhando de alguns ao longo do tempo, outros permaneceram até hoje. Ah! Como era difícil chamar uma moça para dançar. Será que minha roupa está condizente com a festa? Será que ela tem namorado? E se ela disser NÃO, vou ficar com uma cara de idiota. Não, não tenho coragem, melhor tomar mais uma caipirinha. Quando a coragem chegava eu já estava eufórico ou bêbado e aí Pimba!!! , Ia lá e falava coisas imbecis e as vezes inconvenientes e o Não vinha com mais veemência (Problema superado quando enfim num lance de sorte me casei).  –  Tinha pavor de falar em público. Vou gaguejar, vou perder o raciocínio, vão me achar despreparado etc. etc. isso embora eu fosse muitas vezes o mais preparado entre todos. Fazer perguntas na aula  era um terror. De antemão já me sentia sendo julgado  por toda a classe. Que pergunta idiota, esse cara  é um burro!!! (superado com o tempo) – Até para comprar tinha dificuldades, se o vendedor me mostrasse muitas opções eu já ficava sem jeito de sair sem comprar nenhuma. Para vender alguma coisa também não era diferente. Ficava com vergonha de dar o preço. Vão achar muito caro e não vão querer, e aí eu sempre vendia por menos do que pretendia (superado com o tempo).  Enfim, intercalando fases melhores e piores vivi asses meus 65 anos. Sempre preocupado com a opinião dos outros. Hoje olhando para trás não creio que fosse só timidez. Era burrice mesmo. Poderia continuar narrando muitas outras situações, mas todas com o mesmo  perfil.

             Como antes tarde do que nunca. Resolvi que pelo resto da minha vida vou mudar radicalmente de atitude. Não vou me importar mais com a opinião de ninguém a menos que venha para me aprimorar. Críticas pura e simples, sobretudo as que nada constroem ficam agora no passado.

             Já me surpreendo fazendo coisas que me pareciam inadmissíveis. Que não “ combinavam”  com a minha personalidade. Vou para a piscina do prédio na segunda feira, levando um jornal e uma cerveja sem me preocupar se os vizinhos vão me considerar um preguiçoso.  Ouço as músicas que quero sem me preocupar se vão achar brega e assim por diante.

As favas a opinião alheia.  Estou adorando essa fase de liberdade.

 

1 Comentário

  1. Adoro ler o que o Ailton escreve. Eu o conheço há muito tempo, e posso dizer que ele mudou muito, exatamente como descreveu. Por exemplo, ele sempre escreveu muito bem. Certa vez, uma carta de incentivo dele me ajudou a passar num concurso muito difícil. Era a prova oral e, sendo tímido ao extremo, como ele, eu estava com muito medo. A carta me deu a força de que eu precisava. Passei.
    A minha estória é muito parecida com a dele. Também tive de tomar várias caipirinhas a mais para conseguir chegar nas meninas. E chegava tosco, esquisito. Por isso, como legítimo representante dos tímidos patológicos, fico maravilhado ao ver o quanto meu melhor amigo, de todas as horas, está bem.
    Mesmo tão introvertido, ele sempre teve um estranho talento para coisas grandiosas, para realizações. Veja, esse é um cara que nasceu numa família em que o infinito amor de seus membros um para com o outro era diretamente proporcional à pobreza em que viviam. Pois não é que ele deu certo na vida? Certíssimo! Casou-se com a mulher mais doce, mais correta e mais guerreira desse mundo. Virou pai, amado e respeitado pelos filhos, que já barbudos ainda adoram a presença, o sorriso dele. Foi para os Estados Unidos por um tempo, e abriu caminho para os irmãos, que vivem lá, felizes, até hoje. Virou médico, empresário e agora blogueiro. Ajudou tanta gente a estudar, começar algum negócio, sair de um aperto, que nem dá pra contar. O Ailton é daqueles caras que podem conseguir qualquer coisa. E essa mais recente, de vencer a timidez, se reinventar, é mais proeza daquelas que só os grandes conseguem.
    Então é isso aí. Recomendo o blog do Ailton pela simples razão de que tudo que o cara bota a mão fica bom demais! Até eu vou me atrever a deixar umas mal-traçadas aqui de vez em quando.
    Ah, o Ailton é meu pai.

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