Fui ensinado no tempo de minha educação básica a ter orgulho de nossos símbolos, hino, bandeira, brasão, pelo que representavam, eram símbolos que despertavam  civismo e amor a Pátria. Mas isso já faz tempo. Era no tempo em que as crianças esperavam os mais velhos se servirem na hora do almoço. Que os mais jovens cediam o assento para uma gestante ou um idoso no ônibus, ou em salas de espera. Que havia  respeito aos pais, aos professores, e se reverenciava os antepassados. Que as pessoas conversavam entre si, sentavam-se nas calçadas, se sentido seguras  e falavam de coisas bem além da futilidade  das novelas. As comunicações  comparadas com as atuais eram bem rudimentares. Para se fazer uma ligação  interurbana era preciso agendar na operadora data e hora, com algumas delas demorando dias  e até semanas para serem realizadas. Só havia telefonia fixa. Se não houvesse urgência os contatos poderiam ser por telegramas e cartas. Enfim,  a informação circulava de forma  mais lenta. Parece que estou falando de um intervalo de séculos, mas é de apenas 50 anos. A mudança experimentada pela humanidade nesse tempo foi tão grande e rápida que a capacidade de adaptação de muita gente não acompanhou. Em alguns aspectos houve uma acentuada regressão de valores. Poucas crianças e jovens sabem a letra de nosso hino, tão pouco dão valor as noções de civismo e patriotismo. Poucas pessoas se cumprimentam no elevador ou na rua.  Não está havendo transmissão entre as gerações daquelas coisas que se aprende nas relações interpessoais, cara a cara como educação  boas maneiras e camaradagem.  Hoje o Brasil ultrapassou a marca de um celular por habitante e cada um deles  pode substituir: rádio, aparelho de som, agenda, calculadora, mapas, máquina fotográfica e principalmente as conversas digamos “ao vivo”,  e com a vantagem  de caber no bolso. A internet e as redes sociais trouxeram  para a palma de nossa mão de forma imediata   as informações de todo o mundo.  É natural que tanto progresso tecnológico reflita  em mudanças de hábitos, posturas e comportamentos.  Um segundo tornou-se uma eternidade.  Outro dia estava  num restaurante com outras sete  pessoas. Em pouco tempo a maioria delas tinha  o celular nas mãos e pasmem, algumas trocando mensagens entre si. Tenho a nítida impressão de que a tecnologia excessiva ao contrário do que parece, altera conceitos e  afasta muito as pessoas. Hoje é comum você ter amigos dos quais não se lembra o tom da voz. Os contatos estão sendo feito quase todos de maneira virtual. Está sendo criada uma geração de solitários com o inútil rótulo de conectados. Não se trata de querer o retorno aos níveis de informação de 50 anos atrás, mas concluímos que devemos criar salvaguardas contra o seu excesso, que nos conserve a condição de humanos e que preservem os laços afetivos entre as pessoas. Isso pode ser alcançado se dosarmos o acesso excessivo e cada vez mais precoce de nossas crianças à tecnologia antes que elas sejam todas capturadas pela  máquina de fazer solitários e ermitões urbanos,  porque  aí sim,  não haverá retorno.

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