Acordei  as sete da manhã, já  atrasado para a reunião com alguns advogados que marquei no escritório. Levantei  de um salto, tomei  banho, fiz a barba, e após um café da manhã apressado, beijei  minha mulher, e Já da soleira da porta acenei para o meu filho que descia as escadas e parti para enfrentar o meu dia. Se tivesse saído quinze minutos antes  teria evitado todo esse trânsito e engarrafamento.  Tentei  me distrair ouvindo o rádio e observando com inveja as pessoas que passavam a pé pela calçada, parecendo que iam chegar muito antes de mim  aos seus destinos. No farol tinha um rapaz fazendo malabarismos com algumas bolas de tênis. Depois de uns quarenta minutos  consegui vencer os oito quilômetros que separam minha casa do  escritório. Os advogados já estavam histéricos e aborrecidos. Se algum dia você tiver que fazer alguém esperar, que não sejam advogados. São estressados, trabalham no limite, tem infindáveis compromissos diários, e por isso estão sempre com pressa. Um deles olhou acintosamente para o relógio dizendo: chegamos as 7:30. O que equivalia a dizer:  Já acionamos o cronômetro da cobrança. Meu escritório de Importação e Exportação estava em demanda com a Receita Federal  devido a  alguns  impostos que a meu  ver estavam sendo cobrados em duplicidade,  com o que não concordava. Esse era o motivo da visita dos advogados.   Tinham   sido recomendados por um amigo por serem especialistas em direito tributário.  Expliquei a situação, providenciamos as procurações e documentação pertinente, acertamos o preço dos honorários e nos despedimos, depois de exigirem  50%  adiantados.                                                                                                                                                                                                                                                     A cobrança de impostos  sobre importação no Brasil é uma vergonha. Cobram impostos sobre a mercadoria, frete, e outros impostos, em bases de cálculos crescentes e sucessivas. Está aí a principal razão dos produtos importados serem tão caros. Como era um problema que já me aborrecia há muito tempo, nem questionei, paguei o adiantamento  solicitado e pensei agora é só esperar o resultado. Ledo engano. Três meses depois recebi um telefonema informando que  tinha ocorrido a primeira audiência e que havíamos perdido. Mas fui devidamente consolado: Recorremos, pode demorar um pouco, mas a situação vai ser revertida. Só que com o recurso, o preço aumentou. Temos que acertar os 50% da diferença. Paguei, fazer o que? Já estava no meio do jogo.  Passaram-se mais dois meses e eles sempre me dizendo; estamos com sorte, está indo rápido. – Finalmente veio o desfecho. Um dos advogados voltou ao meu escritório e disse que conhecia um dos julgadores do processo e ele se propunha a reverter a situação, mas infelizmente teria que “molhar a mão” de muita gente e tal e coisa e coisa e tal. Aquela conversa de “cerca Lourenço” me deixou completamente irado.  Isso é simplesmente PROPINA disse eu com os nervos aflorados.  Shhhh! Disse ele, fale baixo, esse termo é muito forte, e está dando uma confusão danada no País inteiro.  QUE SE DANE disse eu voltando a explodir.  SE FOR PARA SER ASSIM DEIXE  O PROCESSO CORRER.  Ele saiu fechando a porta devagar. O processo finalmente foi julgado. Voltamos a perder. No final paguei Impostos sobre a mercadoria, frete, impostos em cascata, multa, juros, correção monetária. E como discordei em pagar os outros 50% dos honorários advocatícios estou sendo processado por isso. Pode?

AVP  –  13/07/2017

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