NÊGO GATO

         Devia ter uns 17 anos o Nêgo Gato.  Moreno baixo, narigudo, gogó saliente. Cabelo ensebado penteado para o lado, e com cara de “areia mijada”. Famoso no bairro pelo tanto que bebia. Feio que dava dó. O apelido de autoria desconhecida, coincidiu com o lançamento de uma música da jovem guarda “negro gato”. E em consonância com um verso da música, ambos eram de arrepiar. Pouca gente se lembrava de seu nome, até ele próprio com o passar do tempo atendia mais rápido pelo apelido.

      Rui Chegou de mansinho numa bicicleta, apoiou o pé no meio fio e se dirigiu a senhora que lavava roupa distraída no quintal.  –Dona Laura, o Nêgo Gato está? A senhora virou-se para ele após o susto inicial e encarando-o bem respondeu. –Não meu filho, você deve estar enganado. Aqui não tem essa pessoa não. Aqui tem Wildemar, Welson, Wanderley, Washington, Wilderson, Wedson, Walquiria, Waldeci e Wanderléia… mas Nêgo Gato não. Rui sentindo-se desconfortável e sem graça com a mancada resolveu ir embora. – Está bem Dona Laura, é que me mandaram entregar um dinheiro nas mãos do Nêgo Gato, mas pelo que vejo deve ser um mal   entendido, ou o endereço não é esse. Até logo e desculpe. A senhora considerando o tempo de vacas magras em que viviam disse:  –Espere, a bem da verdade eu ouço os coleguinhas do Welson chama-lo assim, mas o nome dele é Welson Silva Andrade viu. Vou chama-lo   um momentinho. Virou-se em direção à janela aberta e chamou, –Welson… nada, Welsonnn…nada, aumentou tom WELSONNN…nada. –Rui deu meia volta na bicicleta começando a se afastar. No desespero e vendo o dinheiro escapar, Dona Laura não teve alternativa, correu alguns passos em direção a janela da casa disparou Nêgo Gaaaaaaato.  Welson que assistia televisão deitado no sofá da sala levantou de um salto e precipitou-se para o quintal. –O  que foi mãe, que gritaria é essa?  Rui ouvindo aquela voz conhecida, voltou rapidamente para cobrar um empréstimo que fizera a Nêgo Gato e já vencido há algum tempo. Dona Laura balançando a cabeça disse de si para si: –Esse menino é um caso perdido, não trabalha, não estuda e ainda sai fazendo empréstimo por aí. Quem quiser emprestar que empreste, eu é que não vou pagar…

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