Há alguns anos eu e minha mulher resolvemos visitar um País muçulmano. Escolhemos o Marrocos. Como é um País de cultura muito diferente com dois idiomas. O árabe dificílimo e o francês meu ponto fraco entre as línguas latinas. Resolvemos escolher uma excursão, com guia e programas predefinidos. Foi uma ótima ideia. Partimos da cidade espanhola de Málaga, num Catamarã atravessando o estreito de Gibraltar. Chegando ao Marrocos seguimos de ônibus para cumprir nosso roteiro. Haviam passageiros de todas as partes do mundo.  Argentinos, uruguaios, brasileiros, franceses croatas, ingleses, espanhóis, Além de um casal de australianos em viagem de lua de mel. Era setembro, e o clima já estava mais ameno, mesmo assim era um calor imenso. O ponto forte foi Marrakesh, cidade grande cheia de construções antigas ao estilo mouro. Incontáveis mesquitas. Uma área chamada medina, remete o visitante a um ambiente medieval. Artesanato riquíssimo e os camelôs mais insistentes do mundo. Enfim tudo extremamente diferente do que já tínhamos visto em nossas andanças. Num dos dias de programação livre, arranjamos um guia local e saímos pela cidade. Chegamos a uma praça chamada Jemaa El Fna, grande, movimentada, com uma extensa feira livre onde se via e vendia de tudo, artesanato, comidas, flores exóticas, e como atração dezenas de encantadores de serpentes. Neste local cruzamos com o casal de Australianos em lua de mel. A primeira coisa que notei foi Edward comprando e comendo espetinhos, cuscuz, frutas secas. Detonando as comidas que via pela frente. Achei prudente alerta-lo, me identifiquei como médico e disse a ele que aquela era uma atitude temerária, pois o nível de higiene era muito baixo. Que aquelas comidas de rua eram perigosas. Preguei no deserto. O gringo não me deu ouvidos. Cruzamos algumas vezes na praça e ele sempre comendo mesmo naquele calor intenso.  As cinco da tarde os mulás começaram a convocar os fiéis para as mesquitas. Ahmed, nosso guia nos deixou em um labirinto de pequenas lojas e simplesmente desapareceu, com certeza foi para alguma das mesquitas próximas. Não voltou nem para receber. Pegamos um taxi e voltamos para o hotel.

      O hotel Atlas em Marrakesh é uma construção imensa, de cor rosa antigo, com quartos confortáveis, restaurantes, piscinas e cafés. Não vendiam bebidas alcoólicas. Proibidas pelo Corão em locais públicos. Nosso grupo reuniu-se junto as piscinas no começo da noite tomando chá de hortelã e comendo petiscos. Notei que Edward e Suzie não apareceram. As dez da noite Suzie me procurou, pedindo que eu desse uma olhada no seu marido, pois ele não estava bem. Saímos pelo longo corredor e quando entrei no quarto vi Edward prostrado na cama, com uma cor branco-acinzentada, olhos fundos, e ares de moribundo. Já tinha ido ao banheiro mais de dez vezes e se sentia fraco e com náuseas. Pensei mas não falei:  “A comida de rua”. Como assistência médica no Marrocos é precária, fui ao meu quarto e peguei alguns medicamentos e dei para ele tomar. Consegui uma garrafa de água mineral,  e com uma colher de chá de sal e outra de açúcar  improvisei um soro caseiro para ele e suspendi a dieta até nova avaliação. Suzie passou a noite cuidando da medicação e do soro. Quando os vi no dia seguinte, ele já estava melhor, e tomava uma sopa leve, feita no Hotel. No restante da viagem não o vi mais comendo nas barracas de rua. – Tenho certeza que aquela foi uma lua de mel inesquecível e que vão narra-la sempre com alegria e bom humor. Para nós foi uma viagem encantadora e culturalmente muito rica.

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