Cheguei a uma fase interessante. Tenho idade para aposentar, mas como sou profissional autônomo  não o fiz completamente. Trabalho dois dias por semana, o restante do tempo resolvi dedicar aos meus hobbies, e recuperar algum terreno nas coisas que sempre tive vontade de fazer. Trabalho nas terças e quartas, portanto de quinta a segunda fico por conta de preencher o tempo com atividades que foram ficando ao lado do caminho. E aí começa: Voltei a estudar música, abandonei as aulas de violão clássico ainda na juventude quando fui para a universidade. Entrei para um estúdio de dança de salão por sugestão de minha mulher. Sempre quis aprender dançar mas nunca insisti muito por timidez. Voltei a escrever textos  que tenho publicado alguns em jornais outros em redes sociais. Voltei a leitura recreativa. Sempre gostei de bons romances, literatura policial,  e pretendo reler algumas obras de grandes autores. Leio jornais diariamente, passo um bom tempo estudando e descobrindo as maravilhas do mundo digital. Reaproximei dos amigos, voltando a organizar reuniões festivas em datas especiais e fins de semana.

            Digo tudo isso para chegar a seguinte conclusão: Não ando tendo tempo para nada. Meus “descompromissos” consomem totalmente o meu tempo. Quando finalmente parar de trabalhar naqueles dois dias, espero saber preenchê-los também com outras “desobrigações” igualmente agradáveis e prazerosas. Outro dia estava pensando que vou ter que organizar um horário igual aqueles que fazíamos na escola: Segunda – dança e literatura, Terça – música,  Quarta – leitura e pequisas na internet… e assim por diante. É mole???

            Por outro lado, se não preenchermos o tempo corremos o risco de entrar numa espiral de depressão. Não há porque existir um sentimento de culpa por estar “a toa”, é uma fase que conquistamos, não ganhamos de mão beijada, fizemos por merecer através de muitos anos de trabalho. É que ficamos acostumados a nos cobrar sempre atividades formais, trabalho, renda, responsabilidades. Está na hora de passar o bastão, pois a vida é uma corrida de revezamento. Agora é com a garotada, nossa geração vai apenas vigiar a direção do vento e orienta-los no que for possível.

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