Está semana perdi um primo, morto ao que tudo indica por um infarto fulminante. Me dava muito bem com ele, pessoa de bom coração, muito prestativo, com incrível apreço pela família. Tivemos infância e adolescência comuns. Sempre moramos próximo e compartilhávamos bons e maus momentos da vida. Hoje em dia nossa convivência já não era tão próxima devido a diferenças de interesses e afazeres, mas estávamos frequentemente em contato. Em minha última viagem de férias, ele me pediu que trouxesse um pequeno prato ornamental, desses que se pendura na parede, era mania dele, acho que colecionava. Comprei a pequena lembrança em Atenas, e fiquei aguardando uma oportunidade para entrega-la. Mês passado ele me telefonou e convidou para o aniversário de sua neta e então tive a oportunidade de entregar-lhe a lembrança que me pediu, e reforçar a importância da nossa amizade e do nosso amor pela família. Três semanas após a festa ele se foi. Portanto, saldei minha pendencia com ele em nosso último encontro. Escrevo essa crônica para ressaltar a importância de nunca deixarmos avolumar pendências, mágoas, agradecimentos, mal-entendidos, elogios enfim devemos expressar nossos sentimentos e ressentimentos as pessoas para dar-lhes a oportunidade de usufrui-los ou repara-los conforme o caso. E elas só podem fazer isso estando vivas e cientes.  É muito comum gostarmos, admirarmos as pessoas, nos sentir bem na presença delas. Temos consciência da importância delas em nossas vidas, mas não dizemos nada, guardamos para nós essa sensação boa e muito positiva. Do mesmo modo devemos reconhecer nossas faltas quando magoamos amigos, e nos retratar o quanto antes, pedir desculpas e aparar aquelas arestas. Esses sentimentos devem ser comunicados e compartilhados sem demora, pois, afinal, ninguém sabe quando será o último encontro.

        Meu primo e eu tivemos uma amizade longa e bonita, mas se não fosse a casual oportunidade de ir aquela festa, jamais teria entregue sua lembrança, nem tão pouco teria reforçado o quanto ele era importante para todos nós, amigos e família. E já não poderia fazê-lo mais, pois foi a última vez que nos vimos. Vá meu primo, não olhe para trás. Siga sua evolução em Paz. Espero estarmos quites.

1 Comentário

  1. É assim mesmo. Na infância brincamos nas ruas, fomos crianças livres e felizes. Na adolescência ainda nos encontrávamos. Na vida adulta nos separamos por interesse diversos e divergentes. Apenas nos encontramos em velório e festas. As visitas já não aconteciam espontaneamente. Um dia sem nenhum aviso, ele se foi. Eu também tive a oportunidade de despedir-me dele na festa de quinze anos de sua neta. Por tudo isso me comprometi a aceitar mais os convites para festas, visitas, e encontros casuais. Vai com Deus primo.

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