Há alguns anos, fui convidado para a festa de aniversário da filha de um amigo bem mais jovem que eu. Era o primeiro aninho da criança, a festa aconteceu num espaço amplo, com uma bela decoração infantil. Não sei muito bem porque fazem festa no primeiro aniversário de criança. Ela não aproveita, estranha tudo e todos, chora e se assusta o tempo todo e sai do seu ritmo normal, passando dias para se recuperar.  Era muita gente, demorei alguns minutos para me situar e sentei numa mesa  ao fundo, perto da saída,  com minha mulher e alguns amigos. Estava achando tudo um exagero, muita pompa e circunstância, cerimonial organizando as pessoas que chegavam. Pais, padrinhos, pediatra, avós, tios, primos, e tome foto para o álbum e as melhores para o facebook e istagram. Já estava ali há uns quarenta minutos quando ouvi chamarem meu nome no sistema de som, pedindo que eu comparecesse aos bastidores. A princípio tive dúvidas se era eu mesmo o convocado. Como voltaram a chamar, me dirigi ao local indicado. Havia uma parede falsa, de madeira atrás do tablado onde os animadores cantavam e brincavam com as crianças presentes.  Dei a volta por trás e fui recebido por um dos organizadores que confirmou meu nome, e apontou para a parede do fundo dizendo: “pode escolher”. Na parede haviam três fantasias penduradas em cabides, com tudo o que tinham direito. Roupas espalhafatosas, multicoloridas, perucas, enfeites, e eu ali com uma cara abestalhada, sem entender ainda o que se passava. Então o rapaz que me recebeu vendo que eu estava meio perplexo tratou de explicar: “O Dr. José, pai da aniversariante pediu que chamássemos o senhor para fazer umas brincadeiras e contar algumas piadas, pois o senhor é bom nisso. Portanto, pode escolher uma das fantasias, Falcão, Tiririca ou Zacarias”.  Pensei lascou-se!!! e disse: “Olhe amigo, eu já tenho mais de sessenta anos, não tenho filhos pequenos nem netos ainda. As vezes conto alguns causos engraçados e as pessoas se divertem, mas sou horrível para fazer brincadeiras e contar piadas. Além do mais minha timidez me impede de vestir qualquer uma dessas fantasias e sair fazendo micagens por aí. Portanto, com todo respeito, vá procurar um voluntário, mais inserido no clima, que tenha filho pequeno para fazer esse papel. Prometo rir bastante mas me poupe dessa incumbência”.  O dono da festa não gostou muito, mas paciência. – Hoje, com a chegada dos meus netos a coisa mudou,  liberei geral. Rolo no chão, faço caretas, imito bichos, canto músicas infantis, e se precisar vestir uma fantasia de berinjela grávida, eu topo. É tudo uma questão de tempo.

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