Não me lembro mais quando foi que minha mãe recorreu a essa estória pela primeira vez. Mas foi uma situação que se repetiu muitas vezes, sempre que ela me via pessimista e desesperançoso, contando com um revés antes mesmo de tentar a solução. A história era a seguinte:

         Um fazendeiro dirigia-se para sua fazenda, ao volante de uma reluzente caminhonete importada, praguejando contra aquela estrada poeirenta e esburacada que tantas vezes o prefeito prometera aplainar e cascalhar. Assim absorto em sua revolta não    percebeu quando o veículo derrapou e bateu com a roda dianteira esquerda num toco esvaziando o pneu em menos de cinco minutos. Retirado de seus devaneios, verificou com rapidez que devia substituir a roda pelo estepe. Ao procurar as ferramentas percebeu que não tinha macaco hidráulico. O seu tinha retirado dias antes para ajudar outra pessoa e não recolocara de volta em seu veículo. Avaliou a situação e concluiu que teria que andar uns quatro quilômetros até a fazenda vizinha para pedir um macaco emprestado. Durante a caminhada começou a pensar “Esse vizinho é chato demais, já tive um entrevero com ele por causa de uma cerca. Ele é muito grosseiro, vai por muita dificuldade para emprestar o macaco”. Ia pensando e se aproximando da casa do vizinho. “Tenho certeza que ele vai dizer que empresta mas espera que eu devolva e que as pessoas aqui tem o hábito de pedir emprestado e não devolver”. A casa do vizinho já estava bem próxima e ele seguia pensando “Acho que eu devia desistir, esse cara é um muquirana, e além de tudo se acha. É metido a besta”. Nesse meio tempo, o vizinho notando que ele se aproximava saiu da casa e vindo ao seu encontro, antecipou o cumprimento: “bom dia vizinho, posso ajudar em alguma coisa?” Ele então não teve dúvidas e respondeu: “Bom dia uma ova. E quer saber de uma coisa? Pegue esse seu macaco e enfie no rabo!!! “.  Virou as costas e partiu em busca de outra solução.

          O vizinho homem mais velho, mais experiente não entendeu aquela revolta mas avistando ao longe a camionete do outro parada na estrada, deduziu suas necessidades, e pegando  o macaco, foi atrás dele oferecer ajuda.

        Até hoje, quando começo a pensar de maneira pessimista, antecipando resposta negativa para meus problemas, a me sentir derrotado antecipadamente,  me lembro com carinho dela e do “homem do macaco”, e de imediato mudo de atitude.

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