Já vivi o bastante para atravessar algumas ondas de tentativas de saneamento da vida Brasileira. Concluí que é um dos trabalhos mais difíceis de ser realizado. O próprio conceito de “sanear”, implica em remover as impurezas, reduzir ao máximo as imperfeições, eliminar os componentes ruins. Se alguém cair de paraquedas no cotidiano brasileiro, ficará completamente desnorteado. Descobrirá muito cedo que a inclinação para malfeitos é disseminada. O flanelinha que oferece para vigiar o seu paraquedas, simplesmente não o fará, e ainda ficará com o seu dinheiro. O motorista de taxi, percebendo que você é de fora, tentará usar a bandeira dois em plena segunda feira a tarde. O Recepcionista do hotel alegará lotação completa ao ver que você não tem reserva, mas… por um pequeno acréscimo informal na diária dará um jeito de acomodá-lo.  Ao se levantar na manhã seguinte irá conhecer os arredores. Caminhando no calçadão terá seu celular roubado, o cordão de ouro arrancado do seu pescoço, com sorte poderá sobrar algum dinheiro para um sorvete. Pedirá alguém para chamar a polícia e esperará na sombra os quarenta minutos que levarão para chegar. Isso porque hoje tem combustível na viatura, senão nem viriam. Voltando para o hotel, será orientado a não andar sozinho pelos arredores, não transportar valores como dinheiro, joias, celular, aliança, e se possível nem dente de ouro. Conselho que chegou tarde. Receberá um mapa com alertas das áreas que deverá evitar por causa dos frequentes tiroteios. Se resolver pegar um ônibus pois não tem pressa nenhuma,  e para apreciar melhor a cidade, cedo verá que fez a escolha errada. O motorista irresponsável, andando em alta velocidade, dando freadas bruscas, e barbarizando no transito. Assim que conseguir se sentar sentirá um volume na sua axila, e uma voz dizendo discretamente, passe a grana e bico calado. Começou tudo de novo. Se resolver caminhar pela praia será alegremente abordado por jovens entre treze e dezoito anos, circulando em grupo promovendo o famoso arrastão.  Que lugar é esse? pensará. Se tentar alugar um carro, será ludibriado na tarifa, no seguro, e nas garantias. Se o desespero for tanto que resolver partir, descobrirá no Aeroporto que a companhia vendeu mais passagens que os assentos disponíveis, o famoso overbooking. Quando tudo isso for resolvido, já em pleno vôo, dará falta de sua carteira. Foi subtraída na confusão do aeroporto. E,  dias depois ao receber a fatura do seu cartão de crédito, descobrirá que foi clonado. Será que volta, ou da próxima irá para Cancun ou Miami?

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