O atual momento da vida brasileira, nos leva a sentir como passageiros de um veículo desgovernado, um navio que perdeu a bússola e os sistemas de comunicação. Anda em círculos em alto mar, tentando descobrir a rota que o leve a um porto seguro. A tripulação bate cabeças, sugerindo rumos diferentes, cada um tentando convencer os demais que suas ideias, ou palpites serão a salvação. Contraditórias, inexequíveis, duvidosas, não confiáveis, suspeitas, e até mal-intencionadas, as propostas vão aparecendo. Deverão ser discutidas e levadas a votação pela totalidade dos passageiros. Não podem tardar muito em devaneios, pois o moral dos passageiros está decaindo sensivelmente. As provisões ainda são razoáveis, suficientes até talvez meados de outubro. O comandante está totalmente isolado e inoperante, cumpre apenas sua rotina mínima enquanto a tripulação se envolve numa luta feroz para escolher os candidatos a substitui-lo. Espera-se que seja o detentor da melhor proposta para salvar a todos do naufrágio. Porém, a bandeira que tremula no mastro é a do Brasil. E como no Brasil tudo pode em termos de política. Nota-se em andamento as mais esdruxulas tentativas de alianças, conchavos, conluios. Os tripulantes promovem um sistema de troca-troca, todos de olho em vantagens, e privilégios. Quem era achincalhado, depreciado hoje se torna cortejado. Réus participam do processo como se nada devessem, apoiando a corrente que melhor possa interferir em seus interesses nada republicanos. No meio desse turbilhão aparecem algumas ideias e propostas demagógicas de salvadores da pátria, que sempre ocuparam posições das quais poderiam auxiliar na condução do navio e nunca o fizeram, preferindo sempre o comodismo.  Agora se colocam como salvadores infalíveis.

                   Recolocar o navio na rota certa e segura levará um bom tempo. Será preciso a exclusão dos maus marinheiros. Os passageiros todos precisam se engajar na escolha da melhor proposta, a mais exequível, e a que estiver mais próximos de seus anseios. E sobretudo se empenhar na escolha do melhor substituto para o comandante. Não se deixem levar por devaneios e fantasias. Nenhum problema do Brasil, e temos muitos, será resolvido com passes de mágica. Precisamos de um marujo experiente, inteligente, e honesto para substituir o comandante. Não é uma tarefa fácil, mas os passageiros precisam acreditar que é possível, e se tornarem obcecados por essa ideia.

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