Fui abordado no semáforo por um jovem de aproximadamente dezoito a vinte anos de idade, com uma caixa de “jujuba” na mão. Ele não estava pedido diretamente dinheiro. Me oferecia as jujubas, acrescentando que era para ajuda-lo e a sua família. Não comprei, até porque sou diabético, mas fui embora pensando.  Porque um jovem como aquele precisaria vender doces no semáforo para se sustentar. Por acaso não teria um trabalho melhor? Não deveria estar estudando? Qual será a perspectiva de futuro daquele garoto?  Estendendo um pouco o raciocínio me lembrei que não é um caso isolado. Nos semáforos do Brasil encontram-se hoje em dia milhares de pessoas, crianças, jovens, velhos na mesma situação. Alguns simplesmente pedindo, outros talvez por constrangimento disfarçam seu infortúnio “vendendo” doces, frutas, pano de chão, e outros pequenos   que lhes permitam apelar para a caridade alheia, sem perder a dignidade. Uma parte do problema pode ter origem no desemprego e no baixo desempenho da economia. Mas a raiz principal é a deficiência do sistema educacional para preparar e qualificar essa gente. Entre essa multidão de pedintes e pseudo pedintes encontram-se muitos jovens como aquele, fora da força de trabalho por motivos diversos. A estes deveríamos olhar com mais carinhos e fazermos um esforço para leva-los ao encontro ou ao reencontro de ocupações dignas e decentes.

                 Existem algumas sociedades estruturadas a não permitir exceto em condições especialíssimas a ascensão social de seus membros. Filho de sapateiro seguirá o ofício de sapateiro, o filho de artesão continuará a ser artesão. E assim, em todas as profissões e ocupações básicas. Aquele jovem do semáforo, com certeza irá se casar, ou conviver com alguém e ter filhos. Isso não tem pobreza que impeça. Se a sociedade e principalmente os governantes não fizerem nada a respeito, sobretudo melhorando o acesso e a qualidade da educação estaremos fadados a ver as gerações de vendedores de “jujuba” se sucederem indefinidamente, como se vivessem numa dessas sociedades de castas fechadas. Estarão fadados a passar para seus descendentes, seus próprios conceitos de trabalho, e a esta altura já terão se acostumado e acomodado na sua aviltante condição de mendigo.

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