Independente das condições em que nascemos, no que se refere à condição econômico/social/cultural, não temos nenhuma garantia de que vamos ser bem ou malsucedidos na vida.  Haroldo por exemplo, nasceu em família de poucas posses. Seu Pai era administrador de fazendas e viva se mudando ao sabor das propostas de melhor remuneração. O garoto era esperto, e em pouco tempo já ajudava na lida diária. O pai, no entanto, não via para ele nenhum futuro naquela vida, e assim enviou-o aos cuidados de uma tia para estudar na capital. A princípio relutou, gostava da vida livre no campo, e estudar para que? se seu pai já o tinha ensinado a ler e escrever? Mas aos poucos foi-se convencendo de que deveria pelo menos tentar. Voltava nas férias escolares para junto dos pais e dos irmãos. O tempo foi operando mudanças na sua cabeça. Começou a enxergar o mundo com outros olhos. Seus horizontes foram se expandindo para além do mundo que conhecia. Foi-se apaixonando pelos estudos, pelos novos conhecimentos. Era um aluno aplicado e cumpridor de suas obrigações. Não gostava muito na verdade, mas não via outra saída e seguia em frente estudando. O tempo foi passando e levando com ele curso primário, secundário, colegial e Haroldo, já agora homem feito, começou a pensar numa maneira de ajudar os pais financeiramente. Agregou o trabalho a sua rotina. Estudava de dia e trabalhava a noite. Alegre e brincalhão foi acumulando amizades por onde passou. Antes de completar dezoito anos foi aprovado em um concurso para fazer um intercâmbio cultural nos Estados Unidos. Ao ver o filho hesitante, novamente entrou em cena o pai e tiveram uma conversa franca. Ao término, convencido e encorajado com as palavras do Pai decidiu seguir seu destino. Fez um acordo na empresa onde trabalhava, recebeu seus direitos e partiu com passagem só de ida e duzentos dólares no bolso. Tinha planos de permanecer por lá, onde estavam alguns de seus amigos, e tentar cursar uma universidade. Fazer medicina talvez. Passou quase dois anos por lá tentando viabilizar seu sonho. As adversidades eram muitas. O curso de medicina muito caro, e não tendo respaldo financeiro tinha que trabalhar, se manter, e poupar para iniciar o curso. Nesse ponto, entrou a mão do destino. Com saudades dos pais e dos irmãos resolveu fazer uma visita e usou parte de sua poupança para isso.

            Durante essa visita, prestou vestibular para medicina em sua cidade e foi aprovado. Então, ficou em definitivo. Após seis anos finalmente realizou seu sonho aos vinte e cinco anos. Daí em diante, dedicou-se integralmente a nova profissão, o que lhe permite ser absolutamente feliz e realizado profissionalmente. Haroldo tem plena consciência de que contou muitas vezes com a sorte  em sua trajetória de vida, mas ele estava sempre na posição em que ela podia ajuda-lo. Uma trajetória como a sua só é possível em um País generoso e maravilhosos como o Brasil, apesar de todas as suas mazelas.

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