Acabo de voltar de Portugal, onde estive por duas semanas. Aquele pequeno e lindo país no contorno ocidental da Europa, está atualmente entre os principais destinos turísticos da região. Contribui para isso as belezas naturais, os inúmeros monumentos revestidos com fatos históricos, e a tranquilidade que oferece a seus habitantes e visitantes, além de ótima culinária e vinhos extraordinários. Não é um País visado pelo terrorismo internacional, e tem um sistema policial extremamente eficiente.  O que chamou a atenção, foi a imensa quantidade de brasileiros hoje radicados por lá. Muitos foram há alguns anos a procura de trabalho. Mesmo os que originalmente foram para outros Países, hoje se concentram em grande parte em Portugal. O endurecimento das leis anti imigrantes de boa parte da Europa os levaram a tomar esse caminho. Outra classe de brasileiros tem aportado naquele País em número crescente. São profissionais liberais, empresários, técnicos de diversas áreas. Pessoas desencantadas com os rumos do nosso País nos quesitos economia, segurança, ética, respeito aos direitos coletivos e outras mazelas. A falta de luz no fim do túnel, a insegurança generalizada tem levado o Brasil a perder um número expressivo de cidadãos, que vão procurar em outras terras o que aqui desistiram de encontrar. Buscam uma vida melhor, com mais conforto, segurança, boas escolas para seus filhos, remuneração adequada, transporte público eficiente e confortável e tantas coisas que perderam a esperança de encontrar em nossa terra. Poucas vezes entrei numa loja, restaurante, hotel, banco, sem encontrar um ou mais brasileiros trabalhando ali. Isso sem contar vendedores ambulantes, grupos de capoeira se exibindo para turistas, e até alguns mendigos. Conversei com dezenas deles. Muitos se dizem felizes, com seus sonhos a caminho de se realizarem. Mas nota-se um certo constrangimento de serem vistos realizando trabalhos muitas vezes mais simples do que se poderia esperar pelo seu nível educacional. E muitos sentem saudade, expressada por um olhar triste e distante que imagino semelhante ao dos escravos em relação à África. É banzo puro.

        Pobre do País que não cuida de sua gente. Que não enxerga as necessidades de seus cidadãos. Que permite que partam a bordo da desesperança. Há de vir o dia em que o Brasil atinja um nível econômico e de consciência social, que permita ajudar essa gente aqui mesmo, antes da partida, oferecendo-lhes emprego, segurança e educação de qualidade. Não custa sonhar.

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