Ao longo do tempo o povo brasileiro foi se acostumando à corrupção e aos desmandos dos governantes, e já não reagia por apatia, conivência ou medo. São tantos anos de abusos políticos e administrativos que a sociedade se deu por vencida e se entregou a inércia. Melhor ignorar do que participar. Daí as expressões “detesto política”, “não quero nem saber, nesse meio só tem vagabundo”. Nem sempre foi assim, mas esse descrédito e desconfiança veio chegando de mansinho, e aos poucos fomos terceirizando nosso destino a uma classe política de lisura no mínimo questionável. Isto abrangendo todas as esferas de poder. Além disso, vimos crescer a influencia de estruturas paralelas de poder como  as milícias e o crime organizado. Os valores morais foram decaindo  levando a uma grande indiferença em ser ou não ser honrado e correto. Fomos ficando inertes diante das transformações do tecido social ao nosso redor. A decência  passou a ser um valor opcional, a dignidade perdeu a importância. Optamos por viver em ambientes coletivos, porém seguindo regras e objetivos individuais. Cada um por si. O que não me diz respeito diretamente não existe.  Tirando proveito dessa indiferença do povo, os maus governantes foram se colocando em posições estratégicas e decisórias, com discurso geralmente fácil e igualmente falso. Não nos preocupávamos em questionar a veracidade nem a viabilidade. Sempre os mesmos, seguindo a uma irritante periodicidade de quatro anos.

             Mas felizmente o vento mudou. Após os acontecimentos nos últimos anos, (mensalão, petrolão, escândalos de todos os matizes), soou uma especie de alarme, que veio a tirar o povo da letargia em que se encontrava  e colocando-o em posição de protagonista nos destinos do País. Formou-se em pouco tempo uma grande patrulha de vigilantes das ações do governo. Nenhum ato ou decisão passará ao largo da fiscalização popular de agora em diante. Hoje quando nos preparamos para mais um pleito eleitoral já podemos sentir um clima novo. A caminho das urnas os brasileiros já podem perceber que a coparticipação veio substituir aquele sentimento de submissão, de votar por votar. Esse sentimento precisa se perpetuar para que não sejamos mais massa de manobra de grupos egoístas e mal intencionados. Enfim, o povo acordou e está assumindo o seu papel.  Boa sorte Brasil. Seus filhos voltaram a entender a importância de não fugir a luta. Você nunca mais será o mesmo, e antes do que imagina voltará a ocupar o seu lugar de destaque na história.

AVP 06/10/2018

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s