De férias e fui com alguns amigos para Bariloche (Argentina). Era início de agosto, ou seja, ainda em pleno inverno. Eu tinha tido experiências anteriores com a neve, mas há muitos anos, já não me lembrava do quanto é limitante para nós brasileiros acostumados ao calor. Ignorei o conselho da minha mulher: “Leve o agasalho na mão”, fiquei com preguiça de carrega-lo, pois era um sobretudo pesado, que pedi emprestado ao meu cunhado, e coloquei-o teimosamente na mala. Chegamos ao destino por volta das três da tarde e fazia um frio de rachar. Desci apressado e corri para dentro das dependências do aeroporto, um galpão comprido e com sistema de aquecimento  insuficiente. As malas chegaram, menos a minha que foi colocada no voo seguinte que chegaria as quatro e meia. resolvi esperar  no aeroporto mesmo, com frio, mas decidido a só sair dali vestindo o sobretudo. As quatro e meia, já agasalhado segui para o Hotel Edelweis no centro da cidade. Todos esperavam que eu tivesse respostas para tudo já que era o único que já conhecia neve.  No dia seguinte, após o café, fomos a pé até uma loja que alugava trajes de esqui. Tinha tudo, Macacão, botas, esqui, luvas e cada um se arrumou como pode. Eu estava pesando mais de cem quilos, o único macacão que me serviu era roxo e ainda ficou um pouquinho apertado. Saí dali parecendo uma grande berinjela a caminho de tombos e peripécias na pista de principiantes.

             Bariloche é uma bela cidade, durante o dia estávamos sempre fazendo passeios, dos quais retornávamos no final da tarde. Para seduzir as mulheres haviam centenas de pequenas lojas de souvenirs, temperos, roupas típicas nas ruas próximas ao hotel. Antes do jantar eu acompanhava minha mulher nas compras. E o frio judiava, como judiava. Numa dessas, entrei numa loja  já no desespero. A funcionária me atendeu gentilmente perguntando “Buscas algo especial?” e eu respondi na bucha ” Si, calefacion?”. Ela se afastou rindo, e eu me sentei num banco de madeira perto da boca do aquecedor, liguei para minha mulher avisando onde eu estava, e que dali só sairia para o hotel. Entrei ali com tanto frio que nem percebi que era uma sex shop.
Num dia livre, ficamos passeando pela cidade. Na praça principal, com vista para o lago Nahuel Huapi, havia um fotógrafo com cara de índio, ao lado de um enorme cão São Bernardo, que atendia pelo nome de “Bandido”, oferecendo-se para fazer foto dos turistas. Fui com a cara do Bandido, e parece que ele com a minha. Resolvi fazer umas fotos. Me aproximei, abracei o cachorrão e tiramos umas dez fotos. Assim que nos afastamos, minha mulher olhou e apontou para o meu casaco “O que é isso?” olhei para o sobretudo e percebi a quantidade de pelos do Bandido que haviam grudado nele. Ela chegou perto, cheirou e disse. Veio com o cheiro também. Aí me lembrei que era do meu cunhado, não podia ser entregue daquele jeito. Passei horas catando pelo e só devolvi depois que passou por uma lavanderia.  Não sei se foram minhas melhores férias, mas com certeza foram  bem marcantes.

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