Não é um sentimento novo, há uma certa melancolia na época do Natal. Talvez pelo afloramento das desigualdades sociais.  As luzes natalinas brilham mais para uns que para outros. Acentua-se nessa época em uma pequena parte da sociedade o sentimento de solidariedade, doação, e assistência aos mais necessitados. Mas não chega a vinte por cento. Se resumem a igrejas, associações de classe, algumas empresas e grupos de amigos, que promovem nessa época arrecadação e doação de roupas, calçados, brinquedos, alimentos e os distribuem para a população mais carente, moradores de rua, creches e asilos.  Ressalve-se também iniciativas individuais esporádicas.  Mas essa solidariedade poderia ser muito maior. Grande parte da sociedade passa ao largo das necessidades das pessoas. E quando se interessam, costumam dar prioridade as crianças que numa primeira análise parecem mais vulneráveis. No entanto há o outro extremo da vida, a chamada terceira idade, que inclui grande parte de idosos em situação de vulnerabilidade extrema. Pessoas solitárias, deprimidas, relegada ao cômodo dos fundos ou simplesmente levados para asilos públicos ou privados que lhes dispensam assistência básica, mas nunca preenchem o vazio da solidão e do abandono. Criança é engraçadinha, dócil, não entende ainda a aridez da vida dos pobres. Sorriem com mais facilidade, dão beijos de agradecimentos, ganham padrinhos e madrinhas com muita frequência. É natural, e elas merecem a atenção social que deveria ser muito maior, mas vamos nos ater ao que temos. Vejamos agora os idosos. Sofrem discriminação de toda ordem, são considerados anacrônicos, ranzinzas, ultrapassados, cheios de manias. Considerado peso morto, o idoso passa a não ter residência fixa, é um mês ou dois com cada filho. E todos fazem as contas, torcendo para não receber o vovô no mês de férias. O apego vai desaparecendo com o tempo até que chega o dia de levar o vovô para um Lar de idosos, onde ele será bem cuidado, terá companhia, diversão, cuidados médicos e outros argumentos de convencimento. Tudo bem, esse é um procedimento pragmático e as vezes necessário em muitos casos. O que é indefensável é o abandono em que muitos são jogados. Uma vez ali, a família vai desaparecendo aos poucos, até só restar o abandono total. Pagar a conta da instituição é dever da família, e não ameniza a crueldade de abandona-los lá. A solidão é o mais nebuloso dos mundos. Essa preocupação social que aparece todo final de ano, deveria se estender pelo ano todo. Para as crianças “ amor e presentes”, para os idosos “atenção e presenças”.  Isso com certeza tornaria o mundo mais leve e feliz.

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