Esmeralda é uma pedra semipreciosa verde, muito procurada para confecção de jóias. O  bandeirante Fernão Dias Pais  Leme, se aventurou Pelo interior do Brasil a procura delas no século XVII, sem no entanto obter sucesso. É um tipo de jazida difícil de explorar. As pequenas pedras verdes formam-se em veios profundos, misturadas a uma rocha chamada Xisto betuminoso, numa proporção de uma tonelada de xisto para poucas gramas de esmeraldas, dessas apenas uns dez por cento são lapidáveis. É um trabalho exaustivo e insalubre. Mas, mesmo assim há homens que sacrificam o pouco que tem para alcança-las. É uma espécie de feitiço. Convidado por um amigo, fui conhecer um desses garimpos em Santa Terezinha – GO. Uma cidade pequena, poeirenta e muito quente. Comemos alguma coisa num botequim e seguimos para o garimpo. Se a cidade já era ruim, estávamos agora diante de um amontoado de casebres, quase todos de madeira, arrodeando o que seria uma pequena praça onde as pedras eram comercializadas. Tinha gente de todos os cantos. Chamou atenção um grupo de indianos circulando pelo local.  Fui conhecer uma das minas. Na verdade era um buraco com uns dois metros de diâmetro ao lado do qual tinha  um guincho para descer e subir os operários, e trazer as caçambas de xisto para a superfície. Também nas proximidades havia um compressor ligado a longas mangueiras que levavam ar para o fundo da mina. Fui informado que a primeira descida era de cento e vinte metros. Lá dentro havia outro quincho que descia cerca de duzentos metros a mais, atingindo as galerias onde o xisto era escavado de suas paredes. Convidado a descer recusei prontamente. Fiquei por ali observando. De repente uma explosão veio  das entranhas da terra. Assustado perguntei o que era. O dono da mina explicou: “É dinamite”. As explosões eram feitas com os trabalhadores lá dentro. Haviam apenas pequenos abrigos escavados nas paredes a uma distancia segura, onde se refugiavam. Mas volta e meia alguém não alcançava o refúgio a tempo. Os trabalhadores se revezavam em dois turnos de oito horas e ganhavam pela quantidade de xisto retirada. Fiquei impressionado. Não consegui pensar em outra ocupação mais terrível, a não se nos campos de trabalhos forçados.

                Suando em bicas deixamos aquele local que eles chamavam de “Sieba”, sem saber o porque do nome, e fomos procurar alguma coisa pra comer pois já eram quase três da tarde. Avistei um galpão um pouco maior, com uma tabuleta mal escrita “Churrascaria do gaúcho”.  Era um galpão de pé direito baixo, coberto com telhas de amianto  fazendo um calor infernal. Tinha uma única mesa ocupada por um  provável comprador de pedras, de cara fechada. Comia calado e de cabeça baixa, tendo na cadeira ao lado uma bolsa tiracolo marrom. Em pouco tempo nossa comida chegou. A carne vendida como alcatra, era dura e borrachosa. Não bastando os mosquitos, tinha um cachorro vira latas que nos incomodava o tempo todo. Tentei chuta-lo algumas vezes mas não consegui. Gritei com ele e o pus para correr. Em pouco tempo o comprador de pedras pediu a conta. Tentou puxar a bolsa tiracolo, mas ela caiu e deixou escorregar do seu interior, um revólver 38 cano longo, com cabo de madrepérola. O homem calmamente se abaixou, apanhou o revolver ao mesmo tempo em que chamava o cachorro “satã, satã, vamos embora”. Senti um frio na espinha só de pensar no que poderia ter acontecido se eu tivesse acertado um pontapé naquele cão.  Meu amigo, que entendia mais do ramo disse: “É, garimpo é isso aí, quem quiser trabalhar com isso tem que se acostumar”.  Olhei de volta para ele e disse. “Termine seus negócios aí, e eu te espero lá no carro”.  Ainda pernoitamos na pequena cidade onde a dona da pensão me perguntou: “É a primeira vez que o senhor vem a Santa Terezinha?”, respondi prontamente: “Não senhora, é a última”.

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