Ontem esqueci meu celular na clínica onde trabalho, numa cidade do interior. Fui descobrir a noite quando já estava chegando em casa. Pensei “Bom, eu me viro com o fixo até amanhã. Quando meu sócio voltar, ele traz para mim”. Foi então que deparei com o grau de dependência que tenho hoje deste pequeno aparelho. Grande parte da minha vida, sobretudo profissional está ali dentro. Meus contatos, agenda, compromissos acertados, lembretes e todos os dados que preciso para tocar minha rotina estão confinado naquele minúsculo aparelho.  Tentei me distrair, fui ao telefone fixo ligar para meus filhos e saber dos netos. Não consegui pois não lembrei do número. Há anos que não ligo para ele do telefone fixo, É muito mais fácil abrir os contatos no celular e clicar “filho”, e nisso você vai esquecendo os números dos filhos, dos amigos, da sua própria empresa pois bastar pegar o celular e clicar “Clínica”.  Sabia que tinha uma reunião pela manhã com Diogo, do Banco do Brasil mas não tinha certeza do horário. Não consegui ligar para o Diogo porque não sabia o número, nem dele nem do banco. Só me vinha a mente aquele “Diogo-B.Brasil” no celular. Passei o dia me sentindo incompleto, de pés e mãos amarrados. Tudo que pensava em fazer esbarrava na falta do danado do aparelhinho. É impressionante como vamos transferindo aos poucos o gerenciamento de nossas  vidas para equipamentos eletrônicos. Celulares, computadores, babás eletrônicas, câmeras de vigilância, e um sem número de geringonças que vão aos poucos substituindo nossa memória. Observamos que essa situação tende a piorar drasticamente com o avanço da automação e da robótica. Num futuro razoavelmente próximo poucas serão as tarefas que poderemos executar sem contar com a colaboração desses equipamentos. É o futuro, e dele não podemos fugir. Mas é bem desconfortável essa fase de transição. Já não sentimos necessidade de memorizar quase nada, basta registrar na memória do celular, tablet, computador e pronto. Porém se os perdemos, ficamos praticamente desmemoriados. As crianças já estão nascendo com um “chip” novo, mas nós seres analógicos ainda vamos sofrer muito para nos transformarmos em seres digitais. Já são seis da tarde e meu sócio ainda não chegou. Haja ansiedade! Se ele não trouxer, amanhã bem cedo estarei na estrada. Vou buscar minha memória.

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