Estávamos indo para a festinha de aniversário de um sobrinho, num bairro um pouco afastado do nosso. Era uma sexta feira, o trânsito do começo da noite ainda estava pesado. Não consigo relaxar muito quando dirijo. Congestionamentos geralmente acirram meu estado nervoso. Apesar disso, tudo corria bem, até que olhando pelo retrovisor vi uma Kombi costurando no meio do tráfego. Não demorou muito e comecei a sentir pressão. O cara queria passar mas não tinha como, então ele começou a me fustigar, encostando de propósito  no para-choque traseiro do nosso carro.  Minha mulher ficou assustada e as crianças também. e eu pensando “Que maluco, não vê que o transito está engarrafado?” . Cometi o erro de colocar a mão para fora e provoca-lo fazendo um gesto que indicava “passe por cima”. Aí ele ficou possesso, bateu por várias vezes  no meu carro. Minha mulher aflita, as crianças chorando . Não eram batidas muito fortes, mas insistentes. Por fim, resolvi sair daquele bolo. Virei numa rua pequena a direita, e respirei aliviado, pensando “Sujeito desagradável”, mas não tive tempo para retomar a calma, a kombi saiu junto e continuou atrás de mim. Entrei em pânico e comecei a serpentear para não deixa-lo passar temendo que estivesse armado, e fizesse algum mal a mim ou a minha família. Seguimos assim por mais ou menos um quilometro. Eu dirigindo em alta velocidade e em zig zag. Então minha mulher me chamou a razão. “Que loucura é essa?” e eu com, os olhos vidrados na pista falei “Esse filho da p… continua atrás de mim, fungando no meu cangote”. Então ela me deu um sábio conselho, “Deixe ele passar”.  Encostei rapidamente o carro, pois a rua era estreita. A Kombi passou e sumiu no mundo. Era apenas coincidência de itinerário, mas poderia não ser. Aquele gesto de mandar “passar por cima” foi desrespeitoso e infeliz. Fiquei por um longo tempo pensando. “Será que a facilitação para obtenção de armas de fogo pela população não poderia aumentar o risco de tragédias?”. Pequenos aborrecimentos podem se transformar em grandes ofensas e levar a reações desproporcionais à que o caso requer. Se eu estivesse armado, e o motorista parasse para tirar satisfações poderia haver ali um entrevero de consequências imprevisíveis. Tomei uma firme decisão. Não usarei armas. Chamarei a polícia sempre que necessário.

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