Há dois anos atrás, em visita a um lar de idosos, minha mulher voltou impressionada com o grau de necessidade ali presente. O apoio oficial é mínimo. A sobrevivência desses lares dependente na maior parte, de doações particulares e trabalho voluntário de pessoas de bem. Muitos colaboram como podem. Doações em dinheiro, alimentos, roupas, cobertores, e outros bens materiais, chegam em volume razoável. No entanto a principal falta que os internos sentem é de afeto, calor e contato humanos. Muitas famílias levam os idosos para esses locais e desaparecem. Alguns passam anos sem contato com a família, isso leva a um alto grau de sofrimento, que aos poucos se transforma em indiferença e no completo desinteresse pelo convívio social. A dor os transforma em ilhas de solidão. As pessoas deveriam fazer uma experiência doando uma hora por mês para frequentar um desses lugares, conversar com os velhinhos, ouvir suas lamentações. O simples fato de conversar com alguém em tamanho estado de carência é uma via de mão dupla. Faz bem a quem recebe e a quem doa, além de ser um gesto de grande generosidade. Ali se encontram vários níveis de lucidez. Escolha alguém, entre em suas fantasias, não contradiga nem argumente muito. Ouça mais do que fale, estabeleça um vínculo por mais fantasioso que seja, não importa. Doe seu tempo, atenção, e carinho sem expectativas de cognição. É claro que também existem crianças carentes, no entanto existem creches em maior número, com maior apoio oficial, e muito mais gente interessada em ajudar, adotar, cuidar. Criança é bonitinha, esperta, brincalhona, sorridente. Velhos são caladões, chatos, rabugentos, reclamam de tudo e talvez por isso não contem com tanto interesse e simpatia.  Na verdade, eles vivem reclusos. É uma reclusão piedosa, mas ainda assim reclusão. São raros os passeios pela dificuldade de pessoal e logística. Portanto, qualquer gesto que minimize o sofrimento humano é sempre bem-vindo por quem precisa, e gera um grande crédito emocional a quem o pratica.

                  Escolhemos um desses locais e passamos a fazer uma pequena festa para os aniversariantes do mês. Levamos um bolo, refrigerantes, salgadinhos fazemos uma mesa de aniversário. No começo esse gesto foi recebido com certa desconfiança, mas hoje é um sucesso total.  Eles ficam esperando pelo terceiro sábado do mês. Esse relato não tem o propósito de auto exaltação, mas simplesmente de demonstrar que existem muitas maneiras de rezar (orar). Fazer o bem sobretudo de maneira direta é uma das mais eficazes.

AVP MAIO/2019

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