Entrei com um grupo de amigos numa Outlet Store, na cidade de Orlando -Florida. Não é mais a minha praia. As pessoas passam o dia inteiro dentro daquelas mega lojas, dando vasão ao seu consumismo desenfreado, seduzidos pelos preços e qualidade dos produtos. Mas gosto de ir para me distrair, e ajudar com alguma tradução ou negociação. Como sempre faço, escolhi um café, e avisei que ficaria ali, se alguém precisasse de mim saberia onde me encontrar. O pessoal partiu em direções diferentes, rumo a Adidas, Nike, Polo, Armani, Náutica, Perfumania, Sephora e outras. Tinha levado meu computador e enquanto a turma comprava, eu tomava café e escrevia. Vez por outra dava uma volta nos arredores, encontrava alguém, trocava ideia, dava opinião, ajudava na comunicação, e logo voltava para meu posto no Angelina’s. Já eram umas duas e meia da tarde e o pessoal continuava nas compras, com uma disposição que poderia durar até a noite. Fui almoçar com um deles que já dava sinais de cansaço. Perguntei-lhe no caminho para o restaurante. “Comprou muita coisa?” ele respondeu que não, mas que sua mulher estava com a corda toda Já tinha comprado naquela altura uns oito pares de calçados, uns dez perfumes diferentes, dezenas de blusas, inclusive uma jaqueta de frio que não se justificava, pois moram em Fortaleza. Agora estava na parte de compra para os netos. Como eram oito pessoas, comecei a pensar que as compras não caberiam na Van. De fato não coube, a noitinha quando nos reunimos para voltar ao hotel, tiveram que acomodar parte das compras em um taxi. Fui indagado por um dos amigos se eu não me sentia tentado a comprar, pois durante o dia todo só tinha comprado um Ipad para minha afilhada. Respondi a ele que normalmente não compro nada que eu não esteja precisando. Adoro entrar nessas lojas, olhar em volta e agradecer a Deus por tanta coisa que eu não preciso. Durante o trajeto de volta, pude perceber que na verdade havia uma velada competição entre eles. Cada um alegando ter feito melhor negócio e contando suas proezas e como se saíram bem nas compras. Começaram a programar voltar outro dia. Aí pensei, podem voltar, mas me deixem fora dessa. Os seres humanos em geral se comportam como se estivessem em disputa permanente. Não compram por necessidade, mas para exibir seu poder econômico, e seu status social. Encerro esse texto com a melhor definição de status que conheço: “Status é comprar o que não precisa, com dinheiro que não tem, pra mostrar para quem não gosta, uma coisa que você não é”.

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