O Jogo do bicho, é uma bolsa de apostas ilegais criada em 1892 no Rio de janeiro, baseado em 25 números cada um representando um animal. Não tenho certeza se em alguma época foi legalizado. Hoje embora ilegal, existem pequenas bancas nas esquinas das cidades, onde se pode “fazer uma fezinha” abertamente. Já houveram tempos de repressão dura, porém hoje as autoridades policiais fazem vista grossa, talvez por terem problemas mais sérios para resolver. O delegado Cirilo era,  ele próprio, adepto de arriscar um palpitezinho. Interpretava seus sonhos todas as manhãs, e se neles aparecesse algum bicho mandava o agente Felício fazer o jogo, pois não podia aparecer. Sonhei com uma borboleta, Felício  jogava na borboleta, com elefante, Felício cravava no elefante. Sonhei com um peão montado num cavalo, tocando um touro para cruzar com a vaca do Dr. Abelardo. Felício corria e registrava um “terno” onde figuravam os três animais. Tinham várias maneiras de apostar, a centena e a milhar eram as que davam mais retorno. Volta e meia o delegado acertava mas seus prêmios eram pequenos devido a modalidade de suas apostas. Tinham um grau de dificuldade baixo por isso pagavam pouco. Tratou de  informar-se melhor e um dia resolveu aplicar uma quantia maior na milhar do galo, que era o símbolo do seu time, campeão estadual. Encarregou Felício de jogar dois mil na milhar 1249  (galo) que naquele dia pagava cem vezes o valor da aposta. O agente fez o jogo e foi para casa pois o delegado tinha viajado  e ele não teria o que fazer na delegacia sem o chefe. Voltando de viagem, o delegado  já sabia o resultado, tinha dado o número 1249 na cabeça. Cadê o Felício? Ninguém sabia. Procurou o cambista que tinha feito o jogo, e soube que ele passara por ali na véspera e foram à banca onde recebeu o dinheiro através de transferência bancária. Aflito Cirilo procurou saber para onde tinham mandado a grana. Alegaram que era confidencial, sigilo bancário. Mesmo sendo policial não pôde rastrear o dinheiro pois teria que se expor pedindo autorização judicial para quebra do sigilo bancário de Felício. “Ele não pode ter feito isso comigo. Onde é que fica a ética?” disse o delegado a alguns assessores de confiança. Ninguém sabia do paradeiro de Felício.  Cirilo demorou a conformar-se com o acontecido. Tinha sido passado para trás pelo amigo. Descobriu do jeito mais doloroso que o dinheiro corrompe a grande maioria dos homens. Independente de sua origem. Anos depois, soube notícias do “amigo”. Estava em Rondônia, onde se tornara um comerciante de sucesso. Pensou em ir atrás, mas não  valia a pena, era dinheiro de contravenção. Aposentou como delegado, e nunca mais jogou no bicho. Compreendeu o ditado  “Dinheiro de incauto é matula de malandro”.

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