Vivo hoje numa cidade de mais de 1.5 milhões de habitantes, e que nada mais tem a ver com aquela cidade pequena, com cerca de 70.000 pessoas para a qual nos mudamos em 1956. Naquela época era possível contar os carros que circulavam pelas ruas, todos importados, caros e feios pra chuchu. Meu vizinho tinha um Packard preto que usava como táxi para fazer umas cinco corridas por mês. Ah, que vida tranquila!  Ainda criança, circulava desenvolto pelas ruas e avenidas. O risco era quase nulo, criminalidade baixíssima. As escolas, quase todas públicas, tinham um ensino de alta qualidade e um quadro de professores extraordinários que realmente ensinavam o que iria fazer diferença para os alunos, sem perder tempo com coisas inúteis e sem extrapolar os reais objetivos da escola. E tinham dos alunos, todo reconhecimento e respeito. Hoje, olhando para trás sinto muita falta daquela cidade que foi se distanciando no tempo, até se transformar nessa metrópole que nos exige um tremendo esforço para suporta-la. Há poucos dias entrei no carro para visitar uma obra social num bairro periférico. O transito estava tão engarrafado e desumano, que meia hora depois, eu ainda não tinha andado dois quilômetros. Um calor infernal tornava a situação mais insuportável ainda. Não tinha jeito de me livrar, então liguei o rádio e tentei relaxar, a música estridente feriu meus ouvidos aumentando o desconforto. Rapidamente passei para um noticiário, aí sim! piorou mais ainda, era uma entrevista do diretor de uma ONG dessas que dizem proteger florestas, índios, mas cujos componentes nada entendem do assunto, e jamais saíram dos escritórios com ar condicionado. Por fim desliguei o rádio e passei a prestar atenção nos transeuntes, morrendo de inveja pois a pé eles estavam mais rápidos que eu. A avenida que eu percorria era uma das principais. Não pude evitar a lembrança de percorrê-la tranquilamente quando menino, em direção ao Cine Goiás, ou Santa Maria para as matinês de domingo. Carros praticamente zero. Milhares de bicicletas se amontoavam nas ilhas centrais das ruas e avenidas. Não é só por saudosismo que descrevo aquele tempo. Os mais jovens não têm esse parâmetro de comparação. Já nasceram no meio do caos, da correria, das dificuldades de locomoção, e por isso nem sabem a diferença. Porém nós, “menos jovens”, sabemos bem comparar os tempos. Não se pode deter o progresso, faz parte da evolução humana. No entanto, ele tem cobrado um alto preço em ansiedade e qualidade de vida a todos nós. O que aqui faço não é uma mera reclamação, visto que o progresso me beneficiou muito pessoal e profissionalmente e por isso sou grato. Mas que tenho saudade daquela vida tranquila e da cidade pequena na qual viemos morar naquela época, isso não posso negar.

AVP – 27AGO/2019

1 Comentário

  1. Jogar bola na rua com os amigos de , Jogar bete, pular o muro do Estádio Olímpico, torcer pelo Tigrão de Adilson, tido, Guaraci, Gibrair,Artur,Dica, ver corridas de carros no centro de Goiania, aprender com a professora Alice no Curso primário de aplicação, respeitar os mais velhos…nossos pais comprando fiado no armazém do Benzim , é os parãmetros eram outros! É como não sentir saudades?

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