De férias na ilha grega de Mykonos, minha mulher e eu nos hospedamos num hotel mediano naquele paraíso, onde chegamos as duas da tarde. Ali conhecemos Theodora, que alegremente nos mostrou as instalações e serviu um drink de boas vindas. Não era tão bonita, mas sua agilidade e gentileza chamava a atenção. Jovem, na faixa dos vinte e cinco a trinta anos. Quando saímos para ter as primeiras impressões da ilha e obter informações sobre os passeios e programas disponíveis adequados a nossa faixa etária, ficou trabalhando. Nos encantamos com o lugar e só voltamos ao hotel já perto das dez da noite. Minha mulher pediu da copa um café com leite e torradas. Bateram na porta, quando abri, lá estava ela, sorridente e gentil. Perguntei se era grega e ela respondeu que não. Nascera na antiga Iugoslávia, na região que é hoje a Bósnia, de onde sua família saiu na década de noventa fugindo das crueldades da guerra dos Bálcãs, vindo se refugiar na região de Peloponeso na Grécia. No dia seguinte ao descermos para o café da manhã, quem estava lá ajudando a servir as mesas? Isso mesmo, a própria. Quando voltamos do passeio a noite, lá estava ela trabalhando. Durante os quatro dias que permanecemos no hotel, reparamos que a moça tinha uma carga  excessiva de trabalho. Mesmo estando ali para descansar e me divertir, não pude deixar de observar o que para mim beirava a trabalho escravo. Pesquisando a respeito dessas migrações forçadas, fui vendo que os refugiados de todos os lugares, raças e crenças, enfrentam problemas comuns. São direcionados aos trabalhos mais difíceis, com jornada excessiva e salários geralmente muito baixos. É claro que existem exceções, alguns se sobressaem, têm qualificação profissional e conseguem vencer. Porém a grande maioria dessas pessoas são submetidas a condições que só não se igualam a escravidão porque existe remuneração. Latinos enfrentam esse problema nos Estados Unidos, refugiados  africanos e asiáticos na Europa. No Brasil também encontramos  problemas semelhantes com, bolivianos, haitianos e agora venezuelanos. São efeitos colaterais das milhares de guerras de colonização pelo mundo afora ao longo dos tempos, onde os vencedores escravizavam os vencidos. Isso veio com o tempo a se tornar um traço reprovável do comportamento humano. Theodora sem se dar conta, vive num paraíso, mas trabalha como uma escrava, e ainda é grata por isso, pois o difícil mesmo é não ter trabalho algum. É utópico pensar que chegará o dia em que em que um ser humano não será mais explorado por outro.

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