Seu Aprobato era vizinho de fazenda, nunca soube o porque desse nome estranho. Velho presunçoso, arrogante e metido a besta. Além da fama de mau pagador tinha um estranho hábito de passar a língua no fundo da xícara, quando convidado a tomar um café na casa das pessoas. Era uma esquisitice dele, além disso punha defeito em todo café que bebia. poucos gostavam de suas visitas pois era um faroleiro, de conversa chatíssima.

              Zé Joaquim estava distraído procurando um ninho de galinhas quando ouviu a voz da Avó, dona Mariana, “Zé Joaquim, vem passar um café para as visitas” O moleque detestava aquilo, era só chegar alguém sua avó mandava ele fazer café. Aquilo nem era serviço de homem. Mas como a velha era mais brava que uma cascavel grávida, tratou de se apressar. Entrou na cozinha a contragosto e de rabo de olho viu seu Aprobato e a mulher sentados na sala. Lembrou-se da mania do velho, moeu o café enquanto pensava numa travessura. Na mesma água do café ferveu junto as xícaras esmaltadas que eram usadas nas fazendas. Com um pano molhado em água fria, esfriou cuidadosamente as asas, deixando o resto pegando fogo.  O café ficou pronto, aí  foi sua vez , “Vó, o café tá pronto, posso levar?”. A avó já meio aborrecida com aquela conversa chata respondeu “pode, trás também os biscoitos que estão na lata azul, e anda logo que seu Aprobato está com pressa”. Zé Joaquim preparou a bandeja com cuidado e levou para a mesa da sala. Dona Mariana tratou de servir rápido, doida para ver a visita pelas costas.  Seu Aprobato pegou o café enquanto terminava de contar um causo. Antes de tomar, passou aquele  linguão pelo fundo da xícara. Pra que? Deu um, berro medonho “Aiiiiii, filho da puta! quer me matar? E, jogando a xícara pela janela continuou aos berros “Mariana, você não dá educação a esse moleque, eu vou ensinar ele. Desgraçado, me arrancou o couro da língua” e entrou correndo pela cozinha atrás do pequeno vilão, mas esse, rindo ás gargalhadas já estava seguro no meio do bambuzal. Ainda escondido Zé Joaquim viu o velho entrando no carro seguido pela mulher e partindo em velocidade, deixando atrás  de si uma nuvem de poeira vermelha. Voltou para casa pensando na reprimenda da Avó, que o recebeu com cara de poucos os amigos. “Você não tem educação menino? isso é jeito de tratar as visitas? cadê os modos que te ensinei?”  Foi falando e se aproximando do menino que temia por uma surra daquelas. Mas chegando bem perto, seus olhares se cruzaram, e o pescoço de dona Mariana começou a engrossar até que não se contendo, explodiu numa sonora gargalhada que contagiou o menino amedrontado. “Nunca mais faça isso” disse ela, “mas eu acho que ele vai perder aquela mania, Ah vai!” Seu Aprobato alegando problemas de úlcera, largou de tomar café.

 

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