Há alguns anos, encontrei Omar na festa anual da Unimed em Goiânia. Fomos muito próximos durante o curso de medicina e como ele foi para o Pará depois de formado, não o tinha visto mais. Durante a conversa disse a ele que eu ia sempre  a Miami por conta de um negócio paralelo de importação de peças de máquinas pesadas que eu tinha. Então perguntou se ele e a esposa não poderiam ir comigo na próxima viagem. Sonhavam em conhecer os Estados Unidos, mas tinham medo por não falarem a língua. Sabendo que seria bom viajar em companhia deles disse “sem problemas, será um prazer”. Combinamos para irmos dois meses depois, isso lhes daria tempo para providenciarem a documentação e o visto de entrada. A caminho de São Paulo, onde embarcaríamos no voo internacional, Omar me informou que os sogros dele também estavam indo, e que os encontraríamos no aeroporto de Guarulhos. Fiquei surpreso mas não me incomodei, afinal seria uma viagem de férias para eles e comercial para mim. Eles já devem ter uma programação em mente, um roteiro pensei. Assim que chegamos fui apresentado a seu Alfredo e Dona Rosinha, sogros de Omar, vindos diretamente de Bom Despacho – MG, onde eram fazendeiros. Traziam uma mala dentro de um saco branco, amarrado na boca com barbante. Eu não via aquilo desde as rodoviárias de antigamente onde era cena comum. “Eles nunca andaram de avião” me disse Omar em voz baixa. Fizemos o check-in e partimos para Miami.  Durante o voo, seu Alfredo começou respirar com dificuldade, ofegante, transpirando, então perguntei, “O senhor está com falta de ar?”, ele me olhou com ar de desespero  e disse “Não meu filho, estou com falta de terra” dei-lhe um comprimido de diazepam e ele dormiu o restante da viagem. Tínhamos reservado  o mesmo hotel para facilitar. Era um hotel grande no centro de Miami, o Dupont Plaza. Ao chegar, descobri que tinham reservado um quarto para quatro pessoas. Pai, mãe, filha e genro no mesmo quarto já pensou? Já era noite, e eu estava muito cansado, fui dormir. No dia seguinte ia sair cedo do hotel e só voltaria a noite. Bati na porta do quarto da “família” e chamando Omar em particular dei a ele uma cópia da chave do meu quarto e expliquei. Saio de manhã para os meus contatos comerciais e só volto a noite, portanto se quiser usar o meu quarto para momentos românticos com a Gisela fique a vontade. Tem duas camas de casal lá. Use a mais próxima da janela. Antes de sair, resolvi entrar no banheiro deles. Enquanto fazia meu xixi, ouvi um barulho de água borbulhando. Olhei em volta procurando algum defeito hidráulico no banheiro e não vi nada. Quando me virei para lavar as mãos deparei com uma panela em cima da pia, com um “mergulhão” dentro, cozinhando meia dúzia de ovos, “bolobolobolobolo”. Fiquei pasmo. Não falei nada, e incrédulo saí do hotel para visitar meus fornecedores. A noite perguntei a Omar sobre aquilo, e ele me disse que tinham  consultado a cotação do dólar antes de sair. Fazendo a conversão dos preços acharam  tudo extremamente caro então partiram para aquela solução “pão e ovos”.  Ficaram passeando a pé nas ruas próximas ao hotel a semana toda, não compraram praticamente nada. Não tinham programa, nem preparação alguma. Nos dois últimos dias da viagem eu os levei para conhecer alguns lugares, incluindo Miami Beach e a um grande outlet umas 40 milhas ao norte de Miami chamado Sawgrass Mills. Tinham achado o aluguel de carro caríssimo.  Pensei caso perdido. Sabia o que era avareza, mas não imaginava que pudesse chegar àquele ponto. Saíram de casa para “sofrer férias” tão longe. Resumindo, não gostaram de Miami e jamais voltarão  lá. Também pudera!

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