Tanta água se foi por baixo da ponte. Quantos Brasis vivi nos últimos cinquenta anos? Não posso precisar, mais foram muitos. Em cada um deles fui um ser diferente, com crenças mutáveis, vontades rotativas, interesses diversos, procurando me enquadrar o melhor possível a cada mudança de realidade. Dei o meu máximo em todas as fases. Mesmo cansado pelo esforço não penso em entregar os pontos. Tenho tentado aplainar as diferenças que existem entre o meu acervo cultural e o de meus filhos e em breve de meus netos. Eles recebem uma carga de informação que jamais supus possível.  Contam com a tecnologia e a maravilhosa informática a seu favor. A minha formação se alicerçou  num ambiente lento e defasado, e por isso meu aprendizado foi mais moroso. A nova geração tem tudo ao alcance de num “click”, tax, WhatsApp, Instagram, twitter e dezenas de outras plataformas que reduziram o mundo ao tamanho de um botão de camisa. Nasci no final do governo do General Eurico Gaspar Dutra, e aí vieram, suicídio de Getúlio Vargas, Governo JK, construção de Brasília, renúncia de JânioQuadros, governo militar, redemocratização, renúncia de Collor de Melo, plano Real, governo FHC, era Lula e Dilma, e por último eleição de Bolsonaro. Todos esses fatos foram acompanhados de guinadas políticas e/ou econômicas do País, ora para a direita, ora para a esquerda. Comparados  à velocidade dos fatos e da informação  de hoje eles parecem ter acontecido a passos de tartaruga. Dava tempo para entendermos e assimilarmos os fatos, as mudanças e avaliar suas consequências.  Hoje os acontecimentos são simultâneos, se entrelaçam com frequência e exigem de quem os avalia a agilidade mental de um hábil enxadrista. Nós “menos jovens” temos que desenvolver habilidades para absorver as informações em bloco, e assim processa-las na mente para alcançar um nível razoável de entendimento, e um patamar intelectual aceitável. Se tentarmos processa-las uma a uma, nossos neurônios entrarão em curto circuito pois não foram treinados para essa frenética atividade. A realidade de hoje, é um volume colossal de informações com prazo de validade curto.  Por isso, o sedimento cultural que fica é bem mais fino. A velocidade de informação atual exige cérebros mais ágeis e aderentes do que os treinados no meu tempo. É a marcha da ciência e do conhecimento cada vez mais acelerados. Quem puder acompanhe. Estou fazendo o possível, mas não é fácil.

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