Moro num apartamento com uma bela vista para o Jardim zoológico e para o lago das Rosas num antigo bairro de Goiânia. É uma região muito tranquila da cidade. Durante a semana nem tanto, mas nos fins de semana e feriados a tranquilidade é total. Pouco transito, e muito canto de pássaros devido a proximidade do parque. Essa manhã, enquanto apreciava a vista, passei a refletir sobre a profunda identidade que tenho com essa cidade que me adotou menino, aos cinco anos de idade, ela era uma jovem de vinte e três, com uma população que não chegava aos setenta mil habitantes. Crescemos juntos, eu, ela e meu amor por ela. Sua generosidade  me permitiu aproveitar as oportunidades que oferecia a seus filhos. Estudei em excelentes escolas públicas, hoje sou médico graças a universidade pública, trabalhei desde menino em seu comércio, fábricas e até no serviço público. Viajo muito a trabalho, para congressos e seminários ou por simples lazer. Mas após dez dias de ausência começo a sentir falta do meu ambiente, do meu lar e já começo a pensar no festivo regresso aos seus braços. E, ao voltar, tenho novamente a certeza de que aqui é o meu lugar, e não sinto a menor vontade de mudar isso. Vejo amigos e colegas que frente às dificuldades de trabalho, à falta de segurança, corrupção, desigualdade social, se sentem impelidos a mudar para outros países atrás de melhor qualidade de vida. Não tenho essa pretensão. Não penso em mudar de estado, e muito menos de país. Meu lugar no mundo é exatamente onde estou. Sou extremamente grato a minha cidade, e ao meu País. Devo muito a ambos. Jamais poderia abandona-los aos primeiros solavancos de dificuldades. Minha trincheira é aqui, e dela desencadearei minha  luta por mais educação, saúde, segurança, e maior lucidez política para nosso povo. Tenho encontrado pelo mundo afora muitos brasileiros que partiram em busca de vida melhor. Muitos deles encontraram a sina da escravidão.  Não tendo qualificação específica e não falando a língua, são relegados aos piores trabalhos e obrigados a trabalhar até dezoito horas por dia. Enfrentam um custo de vida muito elevado, cambio desfavorável, e em alguns casos a “latinofobia”, preconceito presente em quase todas as sociedades do chamado primeiro mundo. Precisamos lutar aqui para que o Brasil cresça e melhore seus aspectos negativos para possibilitar  a volta de seus filhos hoje espalhados pelo mundo. Vontade sei que grande parte deles têm.

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