Trajano estava endividado até o pescoço, seus negócios iam ladeira abaixo, devendo funcionários, fisco, direitos trabalhistas, fornecedores. Para completar clonaram seu cartão de crédito e gastaram todo o limite. Estava desesperado. Tentava obter crédito nos bancos, pedia empréstimos aos amigos, e nada. Não quis recorrer a agiotas  pois o que já estava péssimo poderia piorar ainda mais.  Em casa também tudo estava malparado. Sua filha adolescente estava grávida, e as más línguas punham dúvidas na conduta de sua mulher com o ginecologista dela. Recebera há cerca de meia hora, um telefonema da casa de recuperação avisando que seu filho tinha fugido. “Pronto, estou no fundo do poço, não aguento mais” pensou ele. Homem altivo, não conseguia aceitar a derrota. Estava convencido que não tinha mesmo saída. Sentia-se deprimido, fraco, desmotivado, nem mesmo sua secretária Clotilde, moça de grandes prendas físicas, conseguia mais levantar o seu astral. Entrou num estágio de letargia mental, e foi murchando. Os amigos mais próximos começaram a temer pelo pior. Naquele dia, reunindo as forças que lhe sobravam, levantou-se as duras penas, e saiu sem rumo. Parou em um bar movimentado no centro da cidade. Sentou-se na área interna e pediu uma cerveja. Ficou ali pensando em seus infortúnios, o filme de sua vida passando em sua cabeça. Estava pronto para “partir” mas queria pelo menos entender onde tinha errado para sua vida descarrilhar daquele jeito. Quanto mais pensava mais sua melancolia aumentava. Disposto a por um fim em tudo, pediu mais uma cerveja, encheu o copo, e disfarçadamente abriu uma pequena bolsa que levava, retirou o veneno e misturou na cerveja. Antes que tivesse tempo de tomar ouviu uma voz “É um assalto, todo mundo quieto”, Um homem alto com uma mascara ninja, um revolver 38 assumiu o controle da situação. “Todos para o chão, de barriga para baixo, passem relógios, celulares e dinheiro, rápido, rápido”. Trajano ficou sentado e impassível, o assaltante aproximou-se irritado “Tá surdo coroa? mandei deitar no chão, quer levar um tiro?”, Trajano continuou rfimpassível. O bandido estava com sede, e vendo aquele copo de cerveja gelada na sua frente não teve dúvidas. Pegou o copo e bebeu de “gute gute”, e batendo forte o copo na mesa voltou a ordenar “Deitado, ou vai morrer”. Trajano deitou-se vagarosamente no chão. Após mais ou menos um minuto o bandido começou a cambalear e caiu numa espécie de convulsão. Trajano levantou-se, e disse baixinho: “Hoje não era o meu dia”. Interpretou aquilo como um aviso divino, e varreu a ideia de suicídio de sua mente. Daí em diante passou a enfrentar seus problemas com calma, discernimento, perseverança  e fé. Renegociou seus débitos e resolveu seus problemas domésticos de maneira adequada. Hoje nem parece o mesmo.

AVP-06/01/2020

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