Tourada nunca foi um espetáculo muito frequente no Brasil, mas de vez em quando aparecia alguma. Eram cheias de improvisos e amadorismos, organizadas por pessoas que tinham poucas informações a respeito do assunto. Viam em filmes, ou  revistas e resolviam organizar uma. E, para isso,  sempre conseguiam um patrocinador incauto. Esse era o caso de Mário Porfírio, proprietário de uma loja de tecidos na pequena Aloândia no interior de Goiás. Sendo assediado por vários dias por dois homens que se diziam amigos de seu filho já falecido, Mário resistiu um pouco, mas logo  começou a enxergar ali, a oportunidade de ganhar uma bolada fácil. “Vocês entendem desse negócio?” Perguntou ele ainda meio ressabiado. “Claro, já organizamos várias no interior de São Paulo”. Pronto, falou em São Paulo era coisa séria. A promessa era que ele ficaria com a metade da arrecadação e os outros dois com a outra. Trato feito passaram a organizar a famosa “tourada”. O sistema de auto-falantes da praça começou a divulgar o evento. O prefeito  cedeu uma área da prefeitura para a armação da estrutura necessária. o Caminhão com as lonas e os postes para montagem da arena chegaria em dez dias. A cidade ficou em polvorosa e os ingressos começaram a ser vendidos e tinha várias categorias, até camarote. Mário era entusiasmo só, a arrecadação subindo e ele era só sorrisos. A noticia se espalhou por outros municípios, veio gente de Joviânia, Pontalina, Morrinhos, Buriti Alegre atrás dos ingressos. Foram vendendo mesmo não tendo certeza do número máximo de lugares. Aí o projeto começou a entrar areia.  O tempo passou, o caminhão não chegou com o material. Mário e seus sócios estavam desesperados, então resolveram montar uma arena às pressas, usando postes de madeira fincados em circulo, nos quais foram amarradas peças de tecido da loja de Mario formando um estranho e multicolorido cercado. O público quando viu aquela “armadilha” pressentiu o golpe e começou a fazer barulho e protestar. Os três peões que seriam os “toureiros”, estavam desde cedo no bar do Tonhão, bebendo enquanto esperavam o início da festa. Os touros prometidos por um fazendeiro não apareceram, e mesmo que tivessem vindo, os toureiros já não tinham condições de enfrenta-los, estavam caindo de bêbados. Mário era homem de palavra, foi tirar satisfação com seus sócios, pois queria devolver o dinheiro do público. Mas, eles já tinham batido em retirada, levando todo a renda da bilheteria. Ah, se arrependimento matasse! O prefeito conhecia o  comerciante há anos e para protegê-lo mandou tranca-lo na cadeia até que a multidão enfurecida se acalmasse. Prometeu pagar a todos mas precisava de tempo para ganhar o dinheiro. No período de um ano, foi pagando um a um até acabar. Nunca mais soube dos “sócios”, e também nunca mais se aventurou atrás de dinheiro fácil. Lição aprendida. Não tinha a menor queda para vigarista.

 

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