Não costumo reclamar com muita insistência em bares e restaurantes. Se o serviço está ruim, chamo o Garçon em particular, converso educadamente com ele, e, isto costuma surtir muito efeito. Se a comida está fora dos padrões que pedi, ou se o chopp tem espuma demais, reclamo educadamente, mas apenas uma vez. Se continua ruim, tomo a decisão na hora.  Ou vou embora, ou faço vista grossa, pois não vai adiantar me alterar. Faço assim, e tenho minhas razões. Trabalhei quando bem jovem em um bar e restaurante no centro da cidade, de propriedade de um italiano chamado Max Bertoldi. A princípio limpava as mesas e o próprio restaurante. Quando o trabalho aumentava muito, Seu Max me pedia para auxiliar as garçonetes servindo as mesas. E, aos poucos fui aprendendo as diversas funções, chegando mesmo a desempenhar a importante função de “tirador de chopp” quando o Viana faltava. Tinha uma parte da clientela que era muito fiel, e para esses, tínhamos que “carregar água no jacá” senão, a bronca era certa. A maioria desses clientes antigos eram pessoas educadas e de bom trato. Uns cinco por cento, no entanto, eram pessoas intragáveis, reclamonas e mal educadas. Esbravejavam, mandavam o chopp para trás 2 ou 3 vezes, chegando as vezes a humilhar o Garçon, ou os cozinheiros. Nós. os funcionários chamávamos  este tipo de cliente de “PS” (pé no saco). A retaliação era silenciosa, mas nos ajudava a suportar a situação. Tínhamos algumas regras. Se o filé estava mal passado, era levado de volta, e tentávamos corrigir o ponto. Ao retornar à mesa se a reclamação persistisse, o garçom voltava para a cozinha e denunciava o “PS”. Idelfonso, cozinheiro antigo e muito ranzinza, providenciava o “batismo”. Cuspia na carne, batia com o tênis, dava vazão ao seu instinto vingativo. Isto se aplicava a qualquer prato, pasta, sopa, peixe. O cliente não estava a salvo, se reclamasse mais de uma vez. Viana, ficava  na chopeira,  só aceitava o chopp voltar duas vezes. Se voltasse a terceira, ele cuspia dentro, enfiava o dedo no copo, e ficava de longe olhando e se sentindo vingado. Acho que não usava outras partes de sua anatomia, porque era muito gelado. Quando eu substituía o Viana, tinha que respeitar o acordo coletivo de guerra aos “PS”. Até hoje, não consigo entrar em um restaurante, sem me lembrar daquele emprego. Exijo meus direitos de consumidor com moderação, e muito respeito ao trabalho daquelas pessoas, e tento ao máximo não me tornar um “PS”. Às vezes ainda vejo pela cidade alguns velhos clientes que se enquadravam nesta categoria e penso “Ah, se ele soubesse talvez já tivesse infartado de raiva”. Meu conselho para os leitores, é, que sejam moderados e educados  em suas reclamações pois nunca se sabe quando os “Idelfonsos” e “Vianas” estão trabalhando.

 

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