Hoje, levantei cedo para ficar mais tempo a toa, pois estou confinado em casa. Os curtos trajetos que me propus fazer, foram em volta de minha casa. Um pequeno passeio no parque, e na volta passei na padaria e comprei algumas quitandas e brioches para comer enquanto escrevo. A cidade praticamente vazia, mas com um ar pesado, revela o clima de pânico que tomou conta da população. Parece que os pouquíssimos transeuntes se esgueiram desconfiados pelas calçadas, prontos para fugir ao primeiro sinal do vírus. Parece brincadeira de esconde esconde. É como se o inimigo estivesse em grupos procurando humanos para atacar.  Meus passos ecoavam na rua vazia e o ruído dos pássaros, soava mais alto que de costume. Estava tudo muito estranho. Nunca vivi nada parecido. Liguei para meu irmão na Califórnia. O relato dele é muito semelhante. Pessoas apavoradas, confinadas em casa, saindo apenas para comprar comida e artigos de higiene pessoal. Nunca havia passado 48 horas dentro de minha casa. Aproveitei para explora-la. Descobri aposentos em que me sinto melhor, mais relaxado. Em outros minha angustia aumenta, e a sensação de clausura chega a ser apavorante. Vou para o computador, escrevo um pouco. Depois pego um livro e me acomodo na sacada para lê-lo. Como uma fruta, volto a ler, depois de mais algum tempo paro para descansar. Ligo a televisão e tome “corona vírus”.  Mudo para o Netflix e como tenho todo o tempo do mundo, assisto vários episódios de uma série. É uma boa ferramenta para passar o tempo sabiam?. Tomo mais um lanche, pego meu celular e dou sequência a um curso qualquer de língua estrangeira, Italiano, Francês. Descobri, várias instituições e universidades, que estão disponibilizando  cursos online muito muito úteis, interessantes e gratuitos, pelos próximos 30 dias. Taí outra dica. De repente me ocorreu que se eu estivesse preso, condenado por algum crime, digamos, a 10 anos de prisão, eu não teria condições mentais de aguentar. Esse isolamento temporário e de certa forma voluntário, já está abalando minhas bases psicológicas. Imaginem uma supressão prolongada de liberdade.  Não estou reclamando, sou um homem de 68 anos de idade, e, entendo que entre outras coisas, esse confinamento favorece a minha preservação, pois estou no grupo de risco. Darei minha contribuição para a redução da velocidade de propagação da doença, o que é plenamente justificado pela capacidade limitada do sistema público ou privado de saúde. Mas cá para nós. Fácil não está.

AVP-ABRIL/2020

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