Dona Celina ouviu batidas na porta do apartamento. Caminhou devagar, afinal seus 75 anos já pesavam. Abriu uma pequena fresta protegida por uma correntinha de segurança, e viu um estranho em seu hall de entrada. “Pois não, o que deseja?”  Perguntou ela meio desconfiada à aquele ser esquisito, redondo, de cabelo encaracolado parado ali no hall. “Vim fazer uma visita sem compromisso”. Sentindo-se insegura, pois morava sozinha continuou o seu interrogatório: “Mas quem é o senhor? Como chegou aqui? Quem deu o meu endereço?” O visitante exótico colocou em prática técnicas de convencimento.: “A senhora já ouviu falar de mim, sou o assunto principal de todos os noticiários, redes sociais, grupos de WhatsApp , e todos os tipos de comunicação, sou o Corona Vírus, percebe agora? Cheguei até aqui de carona, nos sapatos do seu vizinho. Subi com ele no elevador. Ele nem me viu. Depois que deixou os sapatos no corredor, saí procurando alguém para conversar, por isso bati  à sua porta” A velhinha ficou radiante, nunca tinha recebido alguém tão famoso em sua casa. Abriu a porta para o visitante entrar e o acomodou na mesa onde ela própria tomava seu desjejum. “Quer tomar um café? Eu estou tomando a gemada de todas as manhãs, a seguir vou fazer exercícios físicos. Tem umas aulas ótimas para a terceira idade na TV. Em seguida tomarei os complementos alimentares, vitamina A, C, complexo B, cúrcuma e óleo de coco”. Depois vou para a sacada ler “Budapeste” de Chico Buarque de Holanda ouvindo um CD do Amado Batista, ou um de Funk que minha neta me mandou de um MC qualquer. O almoço que já encomendei, será rabada com polenta, e um pouco de chambaril. Será uma honra se o senhor quiser me fazer companhia, fico aqui sozinha o tempo todo”. O visitante que até ali ouvira calado, começou a pensar no provável insucesso de sua empreitada: “Essa vovó vai ser uma parada muito dura, ela se cuida demais. Melhor eu procurar outra pessoa”, e então perguntou “Tem mais pessoas idosas neste prédio?  Alguém mais preguiçoso, e mais descuidado, ou já enfraquecido por alguma doença?”. Dona Celina então percebeu a intenção daquele covarde, filho da mãe, e despiu-se de qualquer simpatia: “Ah, é assim seu vagabundo? você espera mesmo que eu vá dedurar alguém? Ponha-se daqui pra fora antes que te parta a cabeça a tamancadas”. Corona viu que o papo era sério, levantou-se de um salto e vazou. Sem saber tinha deixado em dona Celina a imunidade. Nós da terceira idade devemos mirar no exemplo de dona Celina. Alimentar bem, fazer exercícios dentro das possibilidades de cada um, tomar os suplementos alimentares necessários. Assim teremos também a chance de por o vírus para correr caso ele apareça.

AVP-05/04/2020

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.