“Calhorda! Vagabundo!” gritou Celeste jogando coisas pela janela, roupas, caçados, violão e outros pertences do marido. “Onde eu estava com a cabeça quando me casei com você? Seu peste. Eu devia estar louca mesmo. Esperava tudo, menos uma baixaria dessas. Me enganar com aquela sirigaita, com cara de santa e bunda de tanajura!” Abelardo tentava argumentar: “Mas, Celeste, que isso meu bem? São fofocas de desocupados. Cuidado, você vai quebrar meu violão. Marinalva é só amiga, você sabe disso.” Mas a mulher não parava de gritar e adjetivar o marido. Estavam juntos há mais de seis anos. Não tinham, tido filhos ainda porque Abelardo esperava uma melhora de vida quando passasse no concurso do Banco do Brasil. Naquela época ser bancário era para lá de chic. Do banco do Brasil então, era quase como uma faculdade. Há dois anos, finalmente  tinha passado, e começado a trabalhar numa agência em Morrinhos, há 120 km de Goiânia. Ia domingo a noite e voltava sexta a noite. Celeste não pôde acompanha-lo a princípio porque fazia faculdade jornalismo na capital. Ficando longe de casa a semana toda, Abelardo foi aos poucos acompanhando os colegas de banco para um futebolzinho depois do expediente. Dali iam tomar um cerveja, e coisa e tal… Não demorou muito para Abelardo colocar as manguinhas de fora. Era um homem bonitão, no auge da testosterona, e em pouco tempo convenceu-se que “o que o olhos não vêem o coração não sente”, e aí pimba! arrumou uma namorada. Celeste as vezes o visitava no decorrer da semana quando tinha alguma folga na faculdade. Numa dessas visitas, foram a uma festinha na casa de um colega de Banco onde Abelardo com absoluta desfaçatez apresentou Celeste a Marinalva, prima do anfitrião. Mulher é bicho matreiro, Marinalva já sabia que ele era casado, então ficou na dela. E não há de ver que as duas ficaram amigas. Passaram a se telefonar, trocar confidencias. Marinalva passou a vir de vez em quando passar o fim de semana na casa da amiga Celeste. Estava o melhor dos mundos. Abelardo vivendo como um paxá. Cardápio variado, não queria outra vida. Mas, como não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe. Ele foi aos poucos ficando descuidado. Celeste começou a ligar alguns pontos em suas conversas, e já andava bastante desconfiada. Um belo dia a companhia de cartão de crédito ligou para confirmar uma compra de oito mil reais. Celeste disse que o marido não estava mas que ela não sabia do que se tratava. Como a conta era conjunta, a companhia informou que era uma compra de móveis em Morrinhos. Celeste cancelou a compra e a empresa não entregou os móveis.  Marinalva ficou possessa e brigou com Abelardo, dizendo que ele era muito miserável e não queria mais o relacionamento: “está tudo acabado”. Quando voltou para casa na sexta a noite ele teve essa bela recepção. Celeste também o mandou porta a fora, e ele ficou sem as duas, comprovando a máxima de que  “quem tudo quer nada tem”. Dizem até, que se reconciliaram depois, mas aí já é outra fofoca.

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