O SENHORIO…

                Quando alugou o pequeno apartamento na avenida 24 de outubro em Goiânia, Vilebaldo, recém chegado de Porangatu pensou ter resolvido seus problemas de locomoção. Estaria perto do colégio Pedro Gomes, e da sorveteria onde trabalhava. O Senhorio, um Libanês de estatura mediana, gordo e com um sotaque forte, o encheu de recomendações quanto aos cuidados com o imóvel, o respeito à vizinhança e principalmente recomendou que não atrasasse o aluguel. Seu Faruk Cuidava ele próprio da relação com os inquilinos para evitar gastos com imobiliárias. Era extremamente avarento, chato e exigente, chegando a irritar e maltratar quem atrasasse. Mas isso, Vilebaldo só iria descobrir com o tempo. Os primeiro meses transcorreram em paz. Quando chegaram as chuvas, começaram os problemas. Apareceram algumas goteiras no apartamento. Sentindo-se prejudicado, o inquilino reclamou a Faruk, que pela lógica seria o responsável pelos reparos. Repetiu a reclamação diversas vezes, recebendo do senhorio respostas sempre evasivas, visando livrar-se da responsabilidade. Algum tempo depois, A sorveteria entrou em dificuldades financeiras e começou a atrasar o salário dos funcionários. Em função disso, Vilebaldo começou a ser destratado pelo senhorio, que o acusava de ser mau pagador. Enquanto isso as goteiras continuavam aborrecendo, e sem providências do dono. Nem juros eram perdoados, tinha que pagar sempre com acréscimo por qualquer atraso, além, de ter que aguentar Faruk o interpelando e humilhando na frente de outros moradores, igualmente fustigados pelo Libanês diante de qualquer deslize. A rotatividade era grande naquele pequeno prédio de 12 apartamentos, pois sempre alguém perdia a paciência e ia embora. As goteiras mesmo, nunca foram consertadas. Faruk não gostava de bancos, passava rigorosamente no dia 30 para receber, mesmo se fosse sábado, domingo ou feriado. Deixava recados malcriados para aqueles que não encontrava. Ao receber um destes recados que o ameaçava de despejo, Vilebaldo resolveu dar um basta. Procurou Faruk dizendo “Vou sair na semana que vem, o senhor fica todo cheio de exigência e nem as goteiras consertou até hoje”. Faruk impassível apenas disse “Senhor tem que pintar apartamento. Está na contrato”. O Inquilino assentiu com a cabeça e foi embora. Na semana seguinte providenciou sua mudança, pintou o apartamento e foi entregar as chaves. Faruk exigiu vistoriar o imóvel, e com grande surpresa encontrou cada parede pintada de uma cor, nada combinava com nada. Irritado o libanês virou-se para Vilebaldo dizendo “Senhor pensa Faruk besta? Que palhaçada essa? Um parede de cada cor?”. Vilebaldo virando-se para ir embora disse: “O contrato dizia que o apartamento tinha que ser entregue pintado, mas não especificava as cores. E, a propósito, as goteiras continuam lá, e são de sua responsabilidade”. E o leitor, o que acha? Quem estaria com a razão?

AVP-27/04/2020

2 Comentários

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.