Na antiguidade, por desconhecimento, ignorância, e falta de conhecimentos médicos e terapêuticos, as pessoas discriminavam os leprosos. Eram compulsoriamente afastados do convívio social, e mandados para os campos e florestas, com um sino no pescoço para alertar de sua presença aos que se aproximavam. Tinham ainda obrigação de avisar “Não se aproximem, somos leprosos”. Eram alimentados e cuidados por pessoas voluntárias e desprendidas, geralmente ligadas à igreja,  que deixavam comidas e roupas em locais pré estabelecidos para que pudessem alcançar. Não se pode julgar a conduta daquela época, tendo em em vista a precariedade da medicina. Outras pandemias ocorreram como a peste negra na segunda metade do século XIV. Esta foi a mais letal de todas elas, chegando a dizimar entre  20  e 50 milhões de pessoas em todo o mundo, aterrorizando as pessoas que fugiam desesperados evitando proximidade e contato. O mesmo ocorreu com a gripe espanhola no começo do século passado. As pandemias atuais H1N1, COVID-19 nem de longe apresentam grau de mortalidade e de transmissão comparável ao ao das antigas. Entretanto o comportamento humano em nada mudou, mesmo passados milênios. O medo e a insegurança se apoderam das pessoas levando-as a agir por instinto de sobrevivência. No sentido de autopreservação, parte das pessoas são levadas a atitudes egoístas como armazenamento de comida e gêneros de primeira necessidade, e sobretudo de medicamentos, simplesmente porque podem  vir a contrair a doença. Em contrapartida, aparecem também almas nobres, que não se intimidam, enfrentam o mal de peito aberto pela simples vontade de ser útil, de ajudar . Aí se encaixam médicos, enfermeiros, técnicos de laboratório, e todos aqueles envolvidos nos serviços públicos ou privados de saúde, e outros profissionais como policiais, bombeiros, motoristas de ambulâncias e outras categorias de anjos que colocam o interesse coletivo acima dos pessoais ou corporativos. Tanto a repulsa quanto dedicação aos doentes são atitudes compreensíveis dentro do complexo ambiente da mente humana. Os que fogem são mais numerosos do que os que se aproximam dos doentes porém todos são movidos por sentimentos simplesmente humanos, ambas as atitudes são explicáveis. Uns  agem por compromisso, fé e caridade outros  por medo desinformação e  insegurança. Todos sentimentos legítimos, e presentes na marcha da humanidade em todos os tempos. Mas temos de reconhecer que ainda colocamos os sinos da discriminação mesmo em pacientes já recuperados.

 

AVP-ABRIL/2020

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.