O homem moreno, alto e magro atravessava calmamente  a praça todas as  manhãs. Quando voltava, ao cair da noite sempre vinha com uma sacola pesada a julgar pelo esforço que fazia. Apressado virava em um dos becos e desaparecia. Poucos o conheciam embora já morasse por ali há alguns meses. A pontualidade e a repetição, começou a intrigar alguns moradores vizinhos que logo começaram a traçar hipótese sobre a real natureza de seus atos. Seu Lindomar, funcionário público aposentado, com tempo de sobra começou suas sondagens. Seguiu o homem a uma boa distância quando  ele voltava com a sacola, e descobriu onde morava. Era uma pequena casa nos fundos de um grande terreno, com um certo ar de abandono. Um cachorro latiu e veio ao encontro do homem ainda  no portão e seguiram juntos para a casa. Lindomar ainda esperou um pouco, não tendo novas movimentações voltou para casa. Repetiu algumas vezes aquela rotina, e numa delas teve a impressão de ter mais gente na casa. pensou: “Deve ser algum parente dele, com dificuldade de locomoção”. Com a curiosidade em altos níveis, aproveitando-se de que, naquela manhã o homem saíra com o cachorro, Lindomar pulou o muro e foi aproximando da casa lentamente. Expiou para dentro, depois de limpar o vidro da janela, e arrepiou-se com o que viu. Uma mulher sentada numa cadeira, com braços e pernas amarradas, e uma fita adesiva na boca. Mais adiante, um homem deitado no chão sobre um colchonete fino, também amarrado da mesma forma. Lindomar não esperava aquela cena, ficou indeciso sobre o que fazer. Deveria entrar e libertar as pessoas, ou correr ao encontro da polícia? Optou pela segunda alternativa. Desceu do peitoril da janela, e ao virar-se deu de cara com o homem da sacola, com uma arma na mão, tendo a seu lado o cão que ao vê-lo passou a rosnar incessantemente. Seguro de estar sendo seguido, o homem simulou uma saída com o cão e voltou, flagrando Lindomar bisbilhotando a casa. “procurando alguma coisa?” perguntou o ele, segurando o cão pela coleira. Sem jeito, e com muito medo, Lindomar balbuciou “Não, só curiosidade mesmo”.

                       Chegando da academia, Isaura, segunda mulher de Lindomar viu o bilhete em cima da mesa: “Fui espionar a casa de perto, tenho certeza que tem alguém a mais lá dentro. Volto logo”.  Agora, já passadas quase duas horas, pressentiu que algo estava errado. Sabia qual era a casa, e foi atrás dele. Olhou por cima do muro e ouviu o homem dizer ao seu marido: “curiosidade matou o gato, e agora vai matar você'” e apontou a arma para Lindomar.  Isaura não se conteve, e gritou “Pare, a Polícia está chegando!”. Distraindo-se momentaneamente, o homem soltou o cão, que correu em direção ao muro. Lindomar, movido pelo instinto de sobrevivência, atracou-se com ele. Durante a luta corporal  a arma caiu, e Lindomar apossou-se dela. Rendeu o homem, enquanto Isaura chamava a polícia. Ao chegar, o capitão Begliomini Libertou o casal de Fazendeiros sequestrados em em Araxá há mais de trinta dias. A curiosidade excessiva as vezes prejudica, mas foi graças a ela que ao longo do tempo, inúmeros crimes foram desvendados, e seus responsáveis punidos.

 

AVP-MAIO/2020

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