Os desafios que enfrentou logo no nascimento já o credenciaram como um lutador. André nasceu prematuro, pesando pouco mais de um quilo. Demorou a chorar, seus pequenos pulmões ainda não estavam totalmente preparados para iniciar sua missão. Ficou roxinho por um bom tempo e finalmente emitiu o primeiro falsete de voz para alívio de sua mãe. Deu  trabalho durante meses aos médicos da Santa Casa de Catalão mas ao final teve alta, o que foi considerado um milagre. Não conheceu o Pai. Sua mãe dizia que ele a tinha abandonado. Mais tarde André descobriu que nem ela própria sabia quem era. Luíza tinha uma renda muito pequena como diarista, e a completava satisfazendo caminhoneiros que encontrava nos postos vizinhos. Era uma vida triste, mas que não parecia afetar o garoto que muito cedo se mostrou diferente da maioria dos meninos do seu meio. Era tímido, calado mas mas não parecia ligar para essas diferenças. Seu rendimento na escola começou a surpreender já nos primeiros anos. Aprendia com rapidez e desenvoltura. Quando veio para a escola, uma vizinha que tomava conta dele já o tinha ensinado o alfabeto e formação de sílabas e palavras. saiu na frente. Tomou gosto pela leitura, o que lhe dava imenso prazer e criava para ele um mundo onde se sentia a vontade dando asas a sua imaginação. Seu cérebro absorvia tudo como uma esponja. Apesar da fraca situação financeira e da perda da mãe quando tinha quinze anos, contou com a ajuda das pessoas de sua comunidade, que viam nele um futuro promissor, e com o pequeno salário de empacotador na mercearia do Seu Ernesto para continuar a luta. Sua vida estudantil foi coroada de sucesso em todas as fases. Hoje, já aos trinta e cinco anos, formado em engenharia, André exerce um alto cargo administrativo numa empresa de Petroquímica com sede em São Paulo. Quase nunca se aborrece, tem uma serenidade de causar inveja. Segundo suas próprias palavras: “Entre chorar e sorrir, sempre prefiro sorrir. Fico muito feio quando estou triste”. Casado há seis anos, tem duas filhas pequenas, seu objetivo agora é adotar um menino, e transmitir aos três todo o a aprendizado que acumulou ao longo da vida, sem superprotegê-los com mimos exagerados nem atitudes excessivamente permissivas. “Não se deve resguardar os filhos das frustrações, pois elas ajudam a formar o caráter e moldar a perseverança”, ensina ele nas frequentes palestras que é convidado a dar nas comunidades pobres como aquela de onde saiu. Esta é uma história de vida que comprova que se pode conseguir tudo, é só não desistir e pagar o preço”.

AVP-16/06/2020

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