O médico recém formado, atendendo num pequeno posto de saúde em  Uruaçu-GO, recomendou a Júlia que vacinasse seus filhos, era muito importante. Mas ela relutou. “não acredito em vacinas, e sim na imunidade que vem naturalmente, não vou expor meus filhos a um produto manipulado sem muito critério, sem garantia de imunidade permanente, e sujeito a dar reações colaterais as vezes equivalente à própria doença. E além disso você, com essa cara de menino, não tem autoridade nem experiência para exigir isso de mim”. Ele ainda insistiu um pouco, mas concluiu que era malhar em ferro frio. A mulher saiu com ares de superioridade. O médico ficou indignado, comentou o fato com seus colegas mais experientes e ouviu deles que existem grupos de pessoas, formados através das redes sociais, que são refratários ao uso das vacinas, preferindo métodos mais naturais com a homeopatia. Estes grupos estão na contra mão em relação a um esforço mundialmente desenvolvido para formalizar protocolos de  imunizações, coordenados pela Organização Mundial da Saúde, e utilizados na grande maioria dos países. – Doutor Gustavo, o jovem médico citado não se conformou, aquilo era contra tudo o que tinha aprendido nos livros e na faculdade. Era preciso fazer alguma coisa, não era possível concordar passivamente que pessoas expusessem os próprios filhos ao risco de contraírem  doenças já controladas ou erradicadas em todo o mundo. Foi pesquisar na internet, e encontrou vários desses grupos, uns maiores, outros menores, todos com o mesmo discurso, associando as vacinas a verdadeiras teorias da conspiração, ligando sua aplicação ao aparecimento de defeitos no sistema imunológico e ao aparecimento de algumas doenças como o autismo. Todos eles se baseavam em informações empíricas e não confiáveis. Meros boatos que divulgados pela rede faziam-se parecer  verdadeiros. Tentou entrar em contato com eles, argumentar embasado no conhecimento médico, mas foi prontamente rechaçado sob a alegação que aquela era uma decisão da alçada exclusiva dos pais. No seu entendimento, vacinar ou não os filhos não deveria ser uma decisão individual do pai ou da mãe. É um problema de saúde pública, logo implica no interesse coletivo. Ao deixar de vacinar os filhos os pais precisam ter em mente que não estão expondo só os seus filhos, mas todas as crianças com quem eles convivem e interagem. Isso deveria ser até caso de polícia. A conclusão chegada pelo Dr. Gustavo é que a irresponsabilidade humana não tem limites. A atitude desses grupos já está começando a fazer efeito. Já temos notícias do aparecimento de casos de poliomielite, sarampo, difteria e outras doenças que já eram consideradas erradicadas ou sob controle. Sentindo-se profundamente impotente diante desta situação o jovem médico entendeu que pouco poderá fazer, a não ser tentar reverter caso a caso em seu consultório. Quanto à atividade destes irresponsáveis que divulgam tanta asneira e inverdades nas redes sociais é melhor deixar com a polícia mesmo. Foi sua primeira decepção no complicado e emaranhado sistema de saúde pública. Mas isto está longe de desencoraja-lo. Veio para ajudar, e continuará tentando sempre. Mas não é ingênuo, sabe que passará por muitas outras.

AVP 22/07/2020

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