Recluso há mais de cem dias por conta desse famigerado coronavírus, vi com bons olhos o início da flexibilização, com a reabertura de bares e restaurantes. Mesmo com muitas limitações acredito ter sido um alento para a maioria da população. Ontem, domingo a tarde chamei minha mulher para irmos a algum lugar tomar um café. Saímos de carro procurando, passamos pelo Franz Café fechado, Carino café fechado. Nem todos ainda aderiram a reabertura, e acredito que alguns simplesmente não reabrirão. Mas por fim encontramos um café aberto. Descemos do carro numa felicidade sem fim, e aí começamos a notar as diferenças: Um cartaz na entrada exigia o uso de máscaras, por sorte as usávamos. Mediram nossa temperatura e nos passaram álcool em gel nas mãos. As mesas bem espaçadas umas das outras, cerca a de dois metros. Mas nada disso nos tirava o prazer de estar ali, nem a sensação libertadora que aquele simples ato nos proporcionava. O Garçon se aproximou todo paramentado, parecia um astronauta, com um capote de manga comprida, máscara e um escudo de acrílico protegendo o rosto (face shield), pedi o cardápio e ele gentilmente informou que em vista da pandemia em curso, os restaurantes não terão cardápio físicos, só eletrônicos. De posse de um tablet ele passou a recitar o que tinha disponível no estabelecimento. Escolhemos e e enquanto esperávamos ficamos apreciando o jardim. Por fim chegou nosso pedido e aí começou a única inconveniência. Coloquei o adoçante no café e me esqueci da bendita da máscara quando levei a xícara à boca foi aquele desastre sujou a máscara, derramou o café, e tudo o que tinha direito. Minha mulher ria às gargalhadas. Fiquei puto, tirei a máscara. O Garçon polidamente me advertiu que eu teria que usa-la mesmo suja, pois no caso de uma fiscalização eles seriam multados. Eu me sentia ridículo. Aí tive uma idéia. Sou um cavalheiro à moda antiga, trago sempre um lenço no bolso. Dobrei-o em diagonal, e amarrei as duas pontas atrás da cabeça  e fiquei ali parecendo um assaltante de diligência naqueles filmes antigos de faroeste. E na hora de comer levanta a máscara, abaixa a máscara, levanta a máscara, abaixa a máscara. Uma chatura. Mas nada conseguiu me tirar a alegria de estar ali. Na hora de saírmos Chamei o Garçon e pedi a conta. Aí me dei conta de que nunca fiz tanta conta de pagar uma conta. Era só felicidade. Fomos para casa de alma lavada, mas com a certeza de que vamos ter que conviver ainda por um bom tempo com as alterações impostas por esse verdadeiro desastre sanitário que assolou o mundo todo. Algumas delas provavelmente se tornarão permanentes. Pelo sim pelo não, levarei sempre uma máscara de reserva.

AVP-27/07/2020

 

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